Vida desequilibrada
Anteriormente conhecido como O Esquerdopata
quarta-feira, 19 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Um mundo pior é possível
Barack Obama e o legado de um mundo pior
Jeferson Miola, Carta Maior
“O mundo que necessitamos não é menos real que o mundo que conhecemos e padecemos.”
Eduardo Galeano
Em 2008, quando Barack Obama se elegeu pela primeira vez, um sentimento ilusório de esperança pairou como uma nuvem sobre a cena mundial. E não sem razão: depois de oito anos tenebrosos de George W. Bush, as promessas de Obama inundavam o mundo com a esperança de que a humanidade não estava inexoravelmente condenada a continuar percorrendo o caminho das trevas.
Obama soube capturar o “espírito dos tempos”, e assim conseguiu pluralizar a dimensão da sua candidatura presidencial. A candidatura dele já não era somente um alento para os EUA, mas também uma ingênua expectativa de mudança que alentava também boa parte do mundo. O slogan “Yes, we can!” [Sim, nós podemos!], foi a eficiente tradução imaginária dessa representação subjetiva universalizada.
Além de um discurso eficiente que se comunicava com as principais exigências éticas e geopolíticas do período – Guantánamo, Iraque, Afeganistão, paz, respeito à democracia, à diversidade, às soberanias das Nações e às liberdades – Obama soube explorar os predicados de um homem negro, intelectual, descendente queniano e com ancestrais no islamismo – a antítese do norte-americano médio. E se habilitou, nessa condição, como reformador do norte-americanismo obscurantista da era Bush.
As tremendas desilusões que se sucederam, todavia, foram proporcionais às ilusões que acompanharam a eleição de Obama. Isso não significa dizer que Obama tenha sido um impostor – ainda que ele tenha inovado com novos truques de marketing político para ganhar as eleições, é bastante provável que o establishment tenha emoldurado o “espectro realista” de sua ação, impedindo que se tornasse um “ponto fora da curva” do sistema.
Se existia alguma dúvida de que o mundo poderia ficar pior depois de George W. Bush, em pouco tempo Barack Obama se encarregou de dissipá-la: o mundo continuou sendo, sim, pior com ele.
A abjeta prisão de Guantánamo, promessa descumprida de Obama, é um acinte aos valores iluministas e um retrocesso jurídico e moral à Idade Média. Os prisioneiros lá depositados, alguns sem acusações formais e sem a instauração do devido processo legal, são tratados à margem da lei e dos tratados internacionais de direitos humanos.
A invasão de um país sem consentimento para matar o inimigo “onde quer que esteja”, cria uma perigosa jurisprudência no direito internacional, que provavelmente influenciará mudanças de índole reacionária na doutrina do Direito no mundo.
A visão de democracia “for export” preservou a esquizofrenia: Os EUA legitimaram os golpes de Estado em Honduras e no Paraguai, reconhecendo prontamente os governos golpistas que usurparam o poder, mas não reconhecem a eleição democrática de Nicolás Maduro na Venezuela.
Obama, incompreensivelmente um Nobel da Paz, parece assomado do mesmo delírio do seu antecessor, e trata o mundo e a realidade como um jogo virtual de videogame. Os drones, aviões não-tripulados, carregados de armamento e guiados por controle remoto, alvejam os “inimigos” dos EUA localizados em qualquer parte do mundo. Essas armas letais somente são disparadas mediante ordens diretas do Presidente dos EUA que, portanto, tem a exata consciência dessa ação criminosa e ilegal que sacrifica vidas inocentes.
A espionagem telefônica e cibernética escalou níveis mais elevados, assumindo um padrão “Orwelliano” de controle das informações e das comunicações, em nome da “guerra ao terrorismo”. Segundo denúncia do ex-funcionário da CIA Edward Snowden, que prestava serviços para a NSA (Agência Nacional de Segurança), o atual governo ampliou os acordos secretos de cooperação das principais companhias telefônicas e dos maiores provedores de serviços de internet do mundo [como Skype, Yahoo, Google, Facebook e outros] com a “estratégia de segurança nacional” do país, executada em nome da “segurança da comunidade internacional”.
Não se sabe ao certo a finalidade dessas informações obtidas ilegalmente. É possível que não se destinem somente a programas militares e de segurança. Na internet e nas redes sociais transitam quantidades incalculáveis de informações pessoais e íntimas, reveladoras de hábitos de consumo, de modos de vida, de preferências culturais, de rotinas e de relacionamentos.
As políticas da hiperpotência dominante do mundo são incompatíveis com as conquistas iluministas da razão, da liberdade, da igualdade, da tolerância e da democracia. São políticas antagônicas ao mundo democrático, multipolar, tolerante e de paz que necessitamos, “não menos real que o mundo que conhecemos e padecemos”, como afirma Eduardo Galeano. O retrocesso em mais de 200 anos em relação às conquistas civilizatórias e iluministas da humanidade converte a “esfinge da esperança” em uma pobre caricatura menor da História que está sendo escrita como uma farsa.
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Comandante da Gestapo tucana pede que manifestantes ataquem o PT
Comandante-geral da PM tenta politizar protestos em São Paulo
iG
iG
O comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, Benedito Roberto Meira, sugeriu aos representantes do Movimento Passe Livre (MPL) que incluíssem na pauta do quinto protesto pedido de prisão dos condenados do processo de Mensalão, segundo relato ao iG de dois participantes da reunião.
Segundo participantes da reunião, Meira teria dito que foi um erro da polícia (ação da tropa de choque), que é a favor das manifestações não só pelas passagens, mas que tem muita coisa errada, como os mensaleiros. Ainda conforme os relatos, os representates do MPL, ignoraram a sugestão do coronel, que foi classificada como uma tentativa de politizar a manifestação.
"Ele queria demarcar uma posição", explicou Mayara Vivian uma das representantes do MPL, que também participou do encontro. Manifestantes rejeitaram também todos os pedidos feitos pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella.
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Os dilemas da esquerda no Brasil
Por Diogo Costa
Escutam-se murmúrios, aqui e alhures, sobre o impasse da reforma política, da democratização das comunicações, da reforma agrária e de outros temas sensíveis aos anseios populares. Alguns mais afoitos são os primeiros a decretar: "A culpa é do PT"! Será?
Nem é preciso ser um cientista político renomado para saber que reformas estruturais não se fazem com uma varinha mágica de condão. Se fazem com a aprovação de projetos via legislativo, dentro dos marcos da democracia liberal burguesa clássica, ou através de uma revolução social como a Revolução Francesa de 1789 ou a Revolução Russa de 1917. No caso do Brasil, temos o horizonte das reformas dentro da democracia liberal, posta e garantida pela Constituição.
Uma pessoa medianamente informada sabe que para se aprovar um simples projeto de lei no Congresso Nacional, são necessários os votos de 257 deputados federais e de 41 senadores. Sabe também que para se aprovar uma Emenda Constitucional são necessários os votos de 308 deputados federais e de 49 senadores. Pois bem, o PT tem apenas 87 deputados (16,9% do total) e 12 senadores (14,8% do total). Logo, vê-se que o argumento de que o PT não faz reformas porque não quer fazê-las, ou porque tem medo, é uma falácia.
Mas é preciso ir mais além. Aqui e acolá surgem idéias de alguns apressados (e equivocados) dizendo que o PT deveria aprofundar e tornar preferencial sua aliança com o PMDB, tornando-a mais sólida no Congresso Nacional, pois os dois maiores partidos garantiriam, com folga, as votações mais importantes. É mesmo? Nem que o PMDB fosse o partido mais coeso e fiel da face da Terra estaria garantido que apenas ele e o PT pudessem implementar sozinhos qualquer tipo de reforma! A soma de PT e PMDB garante 168 deputados e 32 senadores. Ou seja, não aprovariam nem um mísero projeto de lei.
Agora vem o drama da esquerda. A esquerda (PT, PSB, PC do B, PDT e PSOL) não tem sequer 1/3 dos votos no Congresso Nacional. Destes menos de 1/3 dos votos o PT responde por pouco menos da metade. Pior do que isso é o fato de que em temas como a reforma política e a democratização dos meios de comunicação nem mesmo a esquerda é capaz de apresentar propostas conjuntas. O PSB e o PDT são contra a reforma política (já haviam votado contra em 2007) e contra uma Ley de Medios 'Made in Brazil'. Ou seja, é outra rotunda falácia dizer que o PT não faz reformas porque não quer fazê-las ou porque tem medo das mesmas. Se o PT não tem o apoio sequer de alguns dos partidos de esquerda, como uns e outros pretendem que as reformas estruturantes sejam aprovadas? Só se for com a famosa varinha mágica de condão...
Outro argumento falacioso é o de comparar a situação brasileira com a situação política totalmente distinta existente em outros países da América do Sul, notadamente na Venezuela, na Bolívia ou no Equador. Nada mais fantasioso e falso! Se o PT tivesse a força que tem o PSUV na Venezuela ou a força do MAS na Bolívia, todas as reformas estruturais já estariam feitas há muito tempo. Ocorre que o PT não tem toda essa força. O PT lidera uma coalizão de partidos, o PT não governa sozinho. O PT não tem 308 deputados federais e também não tem 49 senadores. Se tivesse essa maioria consolidada, como os congêneres partidos venezuelano e boliviano tem, e, ainda assim não fizesse as reformas, todas as críticas do mundo seriam corretas e pertinentes. Mas não levar em conta as diferenças dos processos sociais existentes em diferentes países torna as críticas inconsistentes.
Seria até interessante ver em 2014, por exemplo, uma vitória do PSOL para a presidência da república. Plínio de Arruda Sampaio eleito e subindo a rampa com seus hipotéticos 10 deputados federais e hipotéticos 05 ou 06 senadores. Certamente em seis meses o Brasil veria a concretização das aspirações dos movimentos populares! Em seis meses teríamos a aprovação de todas as reformas progressistas de que o país necessita há décadas! Tirando a ironia, vale destacar que isso não valeria só para o PSOL, se vencesse o pleito de 2014 ou outro pleito qualquer, isso valeria e vale também para o PSTU, para o PSB, enfim, vale para qualquer partido político. Ou seja, a vida não é um mar de rosas e nem se passa numa película em preto e branco. A disputa política envolve uma série de mediações que jamais podem ser desconsideradas. Entre o slogan e a vida real existe uma considerável distância que só é vencida com o acúmulo de forças, não com palavras de ordem ou arrivismos.
Os mais inocentes deveriam saber também que em 1964 o antigo PTB, que propugnava pelas corretíssimas reformas de base, tinha uma representatividade parlamentar muito maior que a representatividade parlamentar que o PT tem no Congresso Nacional nos dias de hoje. E aí, será que o antigo PTB, com força congressual muito maior que o PT atual, também não fez reformas porque não quis ou teve medo? Será que caiu por culpa de seus próprios defeitos e limitações?
Esse é o grande enigma da política brasileira atual e a origem do impasse que entrava e paralisa as reformas estruturais. O problema do país não é o PT ou a esquerda, mas a debilidade do PT e da esquerda. O PT precisaria ter o dobro do tamanho que tem! A esquerda precisaria ter o dobro do tamanho que tem! Esse é o fato concreto. E aí quando o PT propõe temas como a reforma política, que beneficiaria todos os partidos programáticos e enterraria os fisiológicos, setores da esquerda votam contra... A 'culpa' é de quem mesmo?
Enfim, na atual conjuntura não resta outra saída a não ser continuar lutando pelas transformações sociais, discutindo temas estruturais e fomentando a participação dos movimentos sindicais, estudantis e sociais. É preciso aumentar a massa crítica em favor das reformas e saber que, sem mobilizações sociais de grande monta, fica muito difícil aprovar qualquer tema mais polêmico. O que não dá é para cair no conto do vigário de que os males da humanidade são culpa da 'paúra' do PT. Isso é uma bobagem pueril.
Há um enorme espaço para o crescimento da esquerda em Pindorama, desde que os militantes de esquerda critiquem a direita! Enquanto esses militantes se detiverem na inglória tarefa de tentar destruir o Partido dos Trabalhadores, continuarão apenas a cumprir um triste e profundamente equivocado papel.
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Democracia corrompida
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Os EUA, hoje, não atendem ao conceito mínimo de democracia
Os EUA, hoje, não atendem ao conceito mínimo de democracia
A democracia americana vive hoje seu pior momento. No século 19, os direitos civis foram assegurados. No final desse século, graças às lutas populares, o sufrágio universal foi afinal conquistado, ao mesmo tempo que a democracia se transformava em um valor universal.
Afinal, filósofos, políticos e cidadãos concordavam que a democracia é o melhor dos regimes políticos, e se estabelecia um conceito mínimo de democracia: é democrático o país no qual são assegurados os direitos civis e o direito ao sufrágio universal é exercido em eleições livres.
Foi um imenso progresso, que, a partir dos anos 1980, avançaria graças à transição para a democracia de um grande número de países em desenvolvimento.
No pós-Segunda Guerra Mundial, os EUA se viram como um modelo de democracia a ser seguido, e, como havia alguma verdade na tese, lograram convencer o resto do mundo. Mas já nos anos 1970, com a guerra dos EUA no Vietnã, e sua derrota, essa imagem começou a ser manchada.
Não obstante, com o colapso da União Soviética, o poder americano restabeleceu-se e, com ele, os EUA transformaram a democracia em arma ideológica contra os governos relativamente nacionalistas ou desenvolvimentistas de países pobres que buscavam realizar sua revolução nacional e industrial.
Para agir assim, continuavam a se ver como modelo de democracia, mas esta definhava. Ficava cada vez mais claro o quanto o poder do dinheiro nas eleições, o quanto um sistema eleitoral retrógrado e o quanto uma Constituição que não se podia mais emendar reduziam a qualidade da democracia americana.
Mas a grande tragédia aconteceu após o 11 de Setembro. Vítima de um atentado terrorista bárbaro, o sistema político americano reagiu com o Patriot Act e, em seguida, com uma série de práticas que aboliram a vigência dos direitos civis: a tortura tornada sistemática, a prisão sem a devida acusação e processo judicial, o assassinato de todos aqueles que o sistema de segurança nacional considera inimigos dos EUA e a invasão da privacidade de todos.
Mas tortura, prisões ilegais e assassinatos só aconteceriam com estrangeiros terroristas. Não é verdade. E desde quando o fato de alguém ser estrangeiro justifica a violência contra seus direitos civis? Agora, quando tomamos conhecimento da invasão da privacidade de milhões de pessoas, é o arbítrio que se instala.
Conforme assinalou Daniel Ellsberg em artigo no "Guardian" (11 de junho), "desde o 11 de Setembro houve, inicialmente de maneira secreta, mas em seguida de maneira crescentemente aberta, a revogação do bill of rights' [direitos civis] pelos quais este país lutou nos últimos 200 anos".
Sabemos que o poder excessivo corrompe. Os EUA, hoje, não atendem ao conceito mínimo de democracia. Seu retrocesso no plano político é um fato triste, que alimenta os prognósticos pessimistas dos que se recusam a acreditar em progresso e em democratização.
É consequência do poder excessivo desse país, que passou a justificar o arbítrio em nome de uma "segurança nacional" que não é outra coisa senão a própria expressão desse poder.
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A verdade e o transe
A falsa conciliação, própria dos amigos da ditadura, não deve mais ser aceitável no estágio atual da democracia brasileira
À medida que os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade avançam, chegamos ao momento histórico necessário da colocação em cena pública, para a contemplação e elaboração de quem puder ver, da natureza dos horrores e violências de toda ordem cometidos por agentes de Estado no período ditatorial que tomou o Brasil por 20 anos, de 1964 a 1984.
A clara nomeação da violação dos direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro começa a se configurar com nitidez a partir do trabalho, muito adiado, do Estado Democrático de Direito de hoje. De fato o Estado democrático tem a obrigação ética e legal, para garantir a própria legitimidade, de assumir a violência histórica cometida sistematicamente contra brasileiros pela ditadura militar local, sincronizada com os movimentos da guerra fria global, definida pela muito ativa influência norte-americana.
Neste momento, o processo de elaboração democrática da verdade brutal brasileira é novamente ameaçado com algo do mesmo transe do passado que permitiu as violências, e que não passa, para quem é apegado a ele. É certo que alguns homens deverão gritar em público contra o "revanchismo dos derrotados", ou seja, a própria Comissão Nacional da Verdade. Esse estado de histeria interessada, que visa a barrar o processo histórico de nomeação do terror de Estado brasileiro, deseja suspender as discriminações, impedir o desenvolvimento da consciência pública e crítica sobre a história nacional e impedir que criminosos sejam oficialmente reconhecidos. Na psicanálise clássica de Freud o momento de elaboração mais profunda de um campo de sintomas implica sua repetição intensa, como real para o neurótico, com o próprio analista. Os criminosos que estão sendo nomeados hoje pela democracia brasileira devem tentar repor os termos do passado, agarrando-se a seu transe que lhes permitiu a barbárie, visando a impedir o desenvolvimento do presente. E o do futuro. E é necessário que o trabalho de elaboração coletiva ultrapasse seu sintoma.
Embora a universalização da tortura como prática política para a sustentação do regime já a partir de 1964 - muito antes do estabelecimento de qualquer oposição armada, que surgiu em 1967 - seja amplamente relatada, e reconhecida pela comissão; embora homens não ligados a grupos que confrontaram a ditadura de modo armado, como o jornalista Vladimir Herzog e o ex-deputado Rubens Paiva, tenham se apresentado pessoalmente em unidades do Exército, e tenham sido rapidamente torturados e assassinados, com os agentes públicos mentindo de modo sistemático sobre o falso suicídio de Herzog e, sempre mentindo, fazendo desaparecer o corpo de Paiva de modo que a família jamais tivesse notícia de seu paradeiro; embora se multipliquem os relatos de assassinatos em dependências do Exército - pelo menos 50 mortes entre 1970 e 1975 apenas no DOI-Codi do II Exército, de São Paulo - além dos relatos bárbaros de torturas didáticas para formação de torturadores, de estupros, da presença de crianças nos porões do terror; embora, já no adiantado da hora de 1981, uma bomba tenha explodido no colo de um sargento e ferido gravemente um capitão do Exército que preparavam um atentado em um show de 1º de Maio onde se encontravam milhares de pessoas; embora o Brasil ainda precise dizer com clareza o que fez, e quem o fez, com os corpos de 354 brasileiros executados e desaparecidos; apesar de tudo isso, e provavelmente ainda mais, homens ligados àquele mundo ainda insistem que o País nada deve fazer a respeito do reconhecido estado de terror da sua ditadura.
Não precisamos dos argumentos metafísicos psicanalíticos, por mais sofisticados e verdadeiros que sejam, a respeito do retorno no real daquilo que não pode ser dito ou elaborado. Apenas o argumento racional que baseia as ações e as leis internacionais sobre direitos humanos é suficiente para sabermos bem o que está em jogo: é a certeza da inimputabilidade, a garantia segura de impunidade, que faz com que o agente público possa cometer atos de terror contra o humano, como os que ocorreram no Brasil. O torturador e o assassino, agente de ditaduras, existem por se acreditarem ao abrigo de toda lei. Por isso esses crimes têm que ser radicalmente imprescritíveis. Só assim a humanidade chegará um dia a punir e a produzir uma política sem o artifício do terror.
O argumento usado para confundir o processo é sempre o da Lei da Anistia, autoconcedida pelo regime ditatorial aos seus agentes. Essa lei foi aprovada pelo Congresso manietado pela própria ditadura, contra a totalidade dos votos da oposição, e não anistiou nenhum opositor condenado, de modo que todos, que não foram mortos, cumpriram as penas por seus crimes, reais, ou supostos. Apenas os torturadores, e suas cadeias de comando e de apoiadores, não conheceram punição por suas violências e terrores. Pelas leis de direitos humanos internacionais, que o Brasil assina, leis de anistia estabelecidas pelas próprias ditaduras em benefício dos próprios agentes não têm validade. Apenas as leis de reparação e o trabalho da verdade construídos em regimes legítimos e democráticos contam para o direito internacional. Torturadores não devem julgar a si próprios.
Exatamente por isso o Brasil foi condenado, muito tardiamente, em dezembro de 2010, já no final do governo Lula, pela Corte Internacional de Direitos Humanos da OEA, por nada ter feito de legal em sua retomada democrática a respeito dos crimes contra os direitos humanos da ditadura. Essa condenação, cuja ação foi movida pelos familiares de mortos e desaparecidos, obrigou o País a instaurar sua Comissão da Verdade. A falsa conciliação pelo transe, própria dos amigos da ditadura, não deve mais ser aceitável no estágio atual da democracia brasileira e seus compromissos universais.
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O fascismo emergente
Sala Fério
Culpar a polícia por reagir à violência prévia praticada por manifestantes que já vão a um ato com espírito armado é errado. A polícia não pode permitir ou fechar os olhos para a depredação de patrimônios públicos e privados. Na hora de estimular greve na PM, não a chamam de 'assassina e repressora'. Nessa hora eles são trabalhadores, na outra 'repressores'.
F. B. P. da S.
A tarifa básica (tarifa única) de ônibus urbanos no RJ era de R$ 1,60 em 2004, enquanto o salário-mínimo era da ordem de 260 reais. O salário mínimo hoje é mais de duas vezes e meia esse valor, enquanto a passagem não atinge o dobro do que era então, ou seja, seus reajustes foram bem abaixo dos dados ao salário-mínimo no período.
Hoje temos também mais gratuidades, já que os estudantes da rede pública, idosos, crianças e deficientes, entre outros, não pagam passagem e seu contingente aumentou, em proporção ao total de usuários.
Trabalhadores que ganham até uma faixa de três salários mínimos mensais têm, por lei, direito assegurado a vale transporte, o qual não constitui remuneração, legalmente, não é tributável e é bancado por patrões e governo.
No período imediato antes do atual governo dos trabalhadores, o total da renda das populações mais pobres gasto em transporte era da ordem de 15%, aproximadamente. Hoje é da ordem de 5%, segundo estudos efetuados em várias capitais brasileiras.
Transporte gratuito para todos só seria possível aumentando a carga tributária, que hoje é de 35% do PIB, na média dos países em iguais condições econômicas e bem abaixo da carga dos países nórdicos.
O pretexto de passagens caras para estimular a realização de marchas inflamadas com pessoas encapuzadas, algumas delas com pedras e gasolina nas mãos e mochilas, não parece algo legítimo. Quem quer se manifestar pacificamente não vai a uma marcha com esses apetrechos de guerra e evita praticar vandalismos.
Nada justifica isso, já que estamos em plena vigência do estado democrático de direito e as coisas podem ser questionadas de outra forma, via denúncia ao Judiciário e ao Ministério Público (o mesmo que aproveita agora para aparecer em SP, depois dos estragos).
Culpar a polícia por reagir à violência prévia praticada por manifestantes que já vão a um ato com espírito armado é errado. A polícia não pode permitir ou fechar os olhos para a depredação de patrimônios públicos e privados. Na hora de estimular greve na PM, não a chamam de 'assassina e repressora'. Nessa hora eles são trabalhadores, na outra 'repressores'.
Tentar realizar uma 'primavera' aqui no Brasil, justo na hora em que um governo preocupado com questões sociais realiza muitos avanços em favor dos desassistidos, é uma insensatez: em todos os países em que houve 'primaveras', a direita e o capitalismo se deram muito bem, tirando enorme proveito. Nenhum país primaveril virou socialista ou melhorou o padrão de vida de seus habitantes, até aqui...
Os partidos emergentes que, através de suas ONGs e movimentos, patrocinam e estimulam essas marchas (suas bandeiras estavam lá, desfraldadas), apostam no quanto pior melhor e em ganhar espaço no grito, incendiando o país. Querem participar do diálogo político à força, usurpando a voz dos que dizem representar sem mandato.
Motoristas, trocadores, fiscais e empregados em geral das empresas de transportes urbanos também são trabalhadores e têm família para sustentar. Também querem reajustes e dependem da saúde das empresas em que trabalham para terem seu padrão de vida melhorado. Arrochar as tarifas significa, em médio prazo, arrochar ainda mais os salários desses profissionais.
Tudo o que estamos vendo constitui um laboratório para os eventos previstos para ocorrer no país (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas), durante os quais planejam realizar ferozes manifestações, como se o país estivesse de fato em guerra, em muitos casos com ajuda da direita mais reacionária. Intifada aqui? Vão fazer intifada fascista na pqp ...
F. B. P. da S.
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domingo, 16 de junho de 2013
Fernando Haddad e a militância digital
GGN
É cuidadoso na análise dos incidentes, para não contaminar as relações com o governo do Estado.
Em plena efervescência do Movimento Passe Livre, o prefeito Fernando Haddad recebeu o Jornal GGN em seu gabinete, na prefeitura de São Paulo.
Contou sobre os convites para que o MPL viesse negociar, a dificuldade de identificar os líderes do movimento, a surpresa quando viu reprtagem com uma das lídreres - que parecia ser da idade de sua filha.
Mostrou a impossibilidade da tarifa zero, os custos dos transportes nos últimos anos.
Finalmente, discorreu sobre o novo personagem político, o militante virtual. Muitos de seus assessores foram às ruas pelas diretas e com os caras pintadas. No momento, debruçam-se em reuniões para aprender como abrir a porta e trazer a rapaziada para as salas, em vez de ficarem batendo a cabeça nos corredores.
É cuidadoso na análise dos incidentes, para não contaminar as relações com o governo do Estado.
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A burrice está solta nas ruas
Pobreza intelectual, polícia violenta e jovens autoritários e sem imaginação fazem o junho de 2013 em SP
"A IMAGINAÇÃO NO PODER" foi um slogan do maio de 1968 na França. A imaginação jamais chegará ao poder, pois a frase é uma espécie de oximoro. Mais deprimente é que a imaginação morreu até nos protestos, como esses do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo.
Como em tantos movimentos de protesto das últimas três décadas, por aí, as táticas do MPL parecem uma cópia e colagem ingênua e anacrônica de passeatas contra a ditadura brasileira de 1964 e dos motins de maio de 1968, por sua vez inspirados nas barricadas das revoluções operárias sérias da França de 1848 e de 1871.
O MPL não é decrépito pelo fato de a rebeldia para valer estar fora de moda, infelizmente, ou apenas porque suas ideias sejam versões pobrezinhas de pensamentos caducos. O MPL é velho ou regressivo até no seu amadorismo.
Movimentos revolucionários ou mesmo de reforma liberal séria velhos de 60 anos (ou até de 150 anos) eram mais criativos, articulados e capazes de usar recursos, tecnologias de comunicação e táticas políticas no estado da arte de suas épocas, por assim dizer (de revoltas operárias na Europa a movimentos pelos direitos civis nos EUA, por exemplo).
Tocado por jovens, o MPL não sabe nem usar direito as tecnologias da hora, internet e os celulares de que tanto gostam, não sabem projetar sua imagem nas ditas mídias sociais, não sabem organizar manifestações de modo a conquistar apoios sociais, não têm comitês de advogados, conexões políticas. Não tem inteligência teórica ou estratégica e, portanto, capacidade política: de convencer, de ganhar apoio, de crescer, de fazer uma boa causa vencer.
Em vez da passeata convencional ou do tumulto violento e, pois, em última análise, autoritário, por que o pessoal do MPL não se deita nas ruas, imóvel, agitando bandeirinhas brancas? Não é piada.
Primeiro, para defensores da "mobilidade urbana", seria uma metáfora irônica. Segundo, daria imagens que correriam mundo. Terceiro, desmoralizaria a violência estatal. Se a PM quisesse remover o pessoal, teria de carregar milhares de manifestantes, um por um. Caso a polícia ainda partisse para a ignorância, imagine o vexame: "Polícia espanca jovens deitados, com bandeiras brancas". Quarto, ganhariam simpatia; a violência de agora, além de tudo, é contraproducente.
Sim, é óbvio que a polícia tem sido bárbara, antidemocrática e profissionalmente imperita. Geraldo Alckmin é o responsável quase direto pelas cacetadas e tiros. Pode não ter mandado "prender e arrebentar" (cortesia do ditador-general João Batista Figueiredo, 1979-1985), mas tem dado o tom da coisa.
Desde seu primeiro governo deixou a polícia à vontade com a ideia macho de "a gente não leva desaforo para casa": bate e atira. Mas polícia deve ser atividade técnica, serviço público, e não briga de rua ou milícia de guerra. Claro, policiais também não devem ser vítimas de pedrada, tiro e menos ainda morrer no trabalho (sim, é apenas um trabalho).
A falta de educação profissional da polícia, a porteira aberta por Alckmin para a meganha e a pobreza intelectual (além da violência autoritária) do MPL provocaram esse tumulto sem sentido.
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Vaia revela apenas a deselegância da elite
Nos próximos dias, grandes jornais e seus colunistas explorarão o tema ao máximo, para tentar provar que estão certos em suas críticas contra o governo Dilma; no entanto, o público presente no Mané Garrincha não era exatamente um retrato do povo brasileiro; ali, havia pessoas que se dispuseram a pagar R$ 280 pela entrada e outros tantos que receberam convites de patrocinadores e parceiros da festa; vaia começou contra Joseph Blatter, da Fifa, e depois atingiu a presidente por tabela, menos como retrato de alguma indignação social e mais como expressão de irreverência e até de falta de educação.
Brasil 247 - Manchete da Folha de S. Paulo: "Estreia do Brasil tem vaia a Dilma, feridos e presos". Manchete do Globo: "Torneio começa com vaias a Dilma e vitória da seleção". Nos próximos dias, a vaia contra a presidente Dilma Rousseff, ouvida no Estádio Nacional Mané Garrincha, ainda deverá ecoar nas colunas políticas e econômicas. Quer um palpite? Este será o tema de Ricardo Noblat, nesta segunda-feira, no Globo.
Mas será que ela tem realmente algum significado político? Nenhum.
Quem esteve no Estádio Nacional Mané Garrincha neste sábado pôde se dar conta de que a vaia contra Dilma foi quase acidental. Ela começou quando os alto-falantes anunciaram a presença do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Dilma foi anunciada na sequência, pegando carona nas vaias a Blatter - que também eram inadequadas. Diante do barulho, ela pronunciou apenas uma frase: "Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações". Blatter lamentou o incidente e pediu "fair play" ao povo brasileiro, quando foi novamente vaiado.
No Uol, Josias de Souza foi o primeiro colunista a comentar as vaias e sugeriu que a torcida talvez estivesse repleta de "Velhos do Restelo", ironizando a presidente Dilma:
O Brasil, para ficar como Dilma Rousseff deseja, precisa trocar de torcida. Essa que compareceu ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é inteiramente inadequada. Uma legião de Velhos do Restelo. Vindo da Suíça, terra onde o leite já sai das vacas pasteurizado, o companheiro Joseph Blatter, da Fifa, ralhou: “Onde está o respeito, onde está o fair play?”. As vaias aumentaram.
Mas quem estava realmente no Mané Garrincha? Não exatamente um retrato do povo brasileiro. Ali havia dois tipos de torcedores. Os que se dispuseram a pagar R$ 280 por uma entrada e aqueles que foram convidados por patrocinadores ou parceiros da festa, que adquiriram ingressos junto à Fifa e os distribuíram a convidados vip. Em ambos os casos, representantes da elite.
Não exatamente o povo que se incomoda com a chamada inflação dos alimentos ou a alta de vinte centavos nas passagens de ônibus.
A despeito da vaia, quem foi o Mané Garrincha também se deu conta de que, pela primeira vez, o Brasil dispõe de equipamentos esportivos comparáveis aos do invejado Primeiro Mundo. A arena de Brasília nada deve aos melhores estádios do mundo - e, em muitos aspectos, os supera. O trabalho dos voluntários, que demonstraram extrema cortesia, foi também exemplar.
Quem foi ao estádio também pôde presenciar o renascimento da seleção brasileira e saiu com a certeza de que, aos poucos, o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, faz brotar um time que tem tudo para ser vencedor.
Além disso, a chegada e a saída do estádio foram tranquilas, salvo um pequeno incidente com manifestantes que protestavam contra a realização da Copa, provando que Brasília, com seus espaços amplos, talvez seja a melhor sede da Copa e a mais adequada até para a abertura em 2014.
Numa festa grandiosa, não só pela seleção, mas pela própria estreia bem-sucedida da arena e de uma das principais sedes, a vaia foi apenas um "ponto fora da curva", para usar uma expressão em voga atualmente.
Foi o retrato da irreverência, da deselegância e até da falta de educação de boa parte da elite brasileira.
Paciência. Brasília deu a primeira demonstração de que, em 2014, o Brasil realizará uma das melhores Copas do Mundo de todos os tempos. E com uma equipe à altura.
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Serviço secreto da PM diz que PSOL recruta punks para protestos
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
O serviço secreto da Polícia Militar afirma em relatórios sobre as manifestações contra o aumento das tarifas de transporte em São Paulo que os grupos mais violentos nem sempre agem de maneira espontânea.
Punks que partem para o quebra-quebra são arregimentados por militantes do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) com o objetivo de desgastar o PT do prefeito Fernando Haddad e o PSDB do governador Geraldo Alckmin, de acordo com documentos sigilosos aos quais a Folha teve acesso.
Para a polícia, a forma de ação desses supostos punk é "semelhante a atos de guerrilha". Seria também uma forma que integrantes do PSOL teriam encontrado de constranger os dois governantes sem aparecer numa situação que poderia desgastar a imagem do partido, de acordo com esses relatórios.
Um dos relatórios do P2, sigla pela qual é conhecido o serviço reservado da PM, frisa que não há envolvimento do PSOL como partido, mas de militantes avulsos. A avaliação foi feita por policiais militares infiltrados.
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| Marlene Bergamo/Folhapress |
Os punks e anarquistas partem para o que a polícia chama de "atuações paralelas" sempre que suas propostas são rejeitadas pelo Movimento Passe Livre, que convoca as manifestações.
O presidente nacional do PSOL, o deputado federal Ivan Valente, diz que a avaliação é completamente equivocada. "Os arapongas sempre cometem erros crassos de avaliação política. O PSOL nunca apoiaria esse tipo de comportamento. Não precisamos utilizar ninguém para criticar governos".
PINGA ANTES E DEPOIS
O monitoramento mostrou que os punks seguem um ritual que se repete nas manifestações, segundo os relatos feitos. Tomam pinga antes de começar os protestos, esperam o movimento atingir o seu ápice para começar a agir e comemoram os resultados com mais pinga depois que o corre-corre acaba.
Para destruir vitrines e janelas, eles usam uma meia recheada com ferro e pregos, segundo o relato dos PMs.
A polícia diz que os punks que seriam recrutados por militantes do PSOL já acreditavam na violência como forma de protesto. Parte deles é ligada ao Black Bloc (Bloco Negro), uma estratégia anticapitalista que nasceu na Alemanha, nos anos 70.
O Black Bloc prega o ataque a símbolos como o McDonald´s como uma forma de combate ao capitalismo. Todos usam máscaras e roupas pretas, tida pelos anarquistas como a cor da negação.
A avaliação da polícia o é que o Movimento Passe Livre tem intenções "sinceras" ao defender a redução da tarifa de R$ 3,20 para R$ 3,00 e não tem orientações violentas. Mas, como não aceita lideranças, permite que esse tipo de comportamento violento explore o movimento.
A inexistência de lideranças é considerada o pior pesadelo para a polícia porque não há alvos claros. Outra dificuldade é separar a ação política dos atos criminosos.
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Efeitos imorais
Geraldo Alckmin é médico, tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar
Já na passeata de terça-feira, alguém levava um cartaz bem visível para os PMs e mostrado várias vezes na TV: "Bala de borracha cega". Não era novidade para os soldados, era um lembrete. Não só para os soldados. Também para os meios de comunicação, dos quais, que me conste, nenhum fez alguma advertência contra o uso dessa arma. E cartaz dirigido também ao governador Geraldo Alckmin.
Um caso, entre tantos. Por um centímetro ou apenas milímetros, a repórter Giuliana Vallone, que não estava nas ruas como manifestante na quinta-feira, não perdeu um olho ao ser atingida por bala de borracha. Isso, no mínimo. Se uma dessas "balas não letais" atingir o flácido globo ocular, perfura-o e o cérebro está ao seu alcance. O resultado provável é a morte. Outras partes do corpo são também vulneráveis e tornam a vida vulnerável às balas de borracha. Agora mesmo um torcedor morreu, na Argentina, atingido por bala de borracha.
Qual é a finalidade dessa arma? É ferir, com todos os riscos de consequências além disso. Armas para afugentar, dispersar, conter à distância, sem o contato corpo a corpo do cassetete, são as bomba de gás lacrimogêneo e de gás de pimenta.
Em razão do seu cargo, o governador Geraldo Alckmin é o responsável pelo uso das balas de borracha e pelos riscos que impõem à integridade e até à vida de civis desarmados. Ainda que nem sejam participantes de atos vistos pelo governador como hostis ao seu governo.
Mas Geraldo Alckmin não é só governador. É médico. Tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar. E como médico tem o dever e o compromisso de servir à integridade e à vida de todo ser humano. É sua, no entanto, a responsabilidade pelo porte, pela autorização de uso e, portanto, pelas consequências das armas tão perigosas. Na linguagem convencionada, a sua é a posição de mandante do que quer que ocorra. E do que tenha ocorrido e venha a ocorrer às vítimas dos tiros com balas de borracha.
É no mínimo indecente que ainda hoje, sob o que consideramos regime democrático, chamemos os gases lacrimogêneo e de pimenta, os revólveres de choque e os tiros de borracha de armas de efeito moral. Denominação adotada pelos regimes de opressão policial-militar.
A volta de manifestações na semana entrante é mais provável do que uma solução para os protestos. Perspectiva idêntica fez aparecer na manhã de quinta-feira, nesta coluna, um trecho assim: "Quem lhes dá [aos oportunistas da arruaça] a oportunidade é sempre a polícia. As bombas de gás, os tiros, os cassetetes incitam as respostas desafiadoras: é a hora dos arruaceiros". À noite isso se confirmava, com reconhecimento até dos que afirmavam o oposto. É o que tende a ser visto outra vez, se as ordens dos mandantes da violência inicial não as retirarem. Ou até que haja morte. Com decorrências imprevisíveis.
O vídeo, posto na internet, do soldado quebrando vidros de um carro da PM, pode ficar como símbolo fiel dos acontecimentos em que um médico autoriza e avaliza o uso de armas perigosas contra pessoas em manifestação pacífica, a PM é que incita a desordem, e tudo é imoral nesses efeitos morais ao estilo das ditaduras, disfarçadas ou não.
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sábado, 15 de junho de 2013
Suape desmente invenção da Veja
Veja a íntegra da nota de esclarecimento divulgada por Suape:
NOTA DE ESCLARECIMENTO 15/06/2013
Em relação à reportagem da Veja, Edição 2.326 de 19 de junho de 2013, intitulada Quatro agentes da Abin são presos por espionar Eduardo Campos, o Complexo Industrial Portuário de Suape esclarece:
1. A Polícia Militar de Pernambuco não efetuou qualquer prisão de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Complexo Industrial Portuário de Suape na manhã de 11 de abril de 2013. A Segurança Patrimonial do Porto apenas impediu a entrada dos agentes no porto organizado, considerado como área de segurança máxima, porque eles queriam ter acesso ao local sem identificação. O procedimento seria tomado com qualquer cidadão que desejasse fazer o mesmo.
2. Após revelarem que eram da Abin, os agentes insistiram em ter acesso à área sem identificação, o que não foi permitido devido ao ISPS Code cumprido rigidamente por Suape. Trata-se de um código internacional para a proteção de navios e instalações portuárias, criado pela Organização Marítima Internacional (IMO), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). O código foi instituído em 2002, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.
3. Mediante a negativa de liberação de permanência no local sem a devida identificação, os agentes da Abin deixaram o local.
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O samba do manifestante doido
Weden Alves
Desconfiada com a repentina mudança de opinião do Datena e do editorial da Folha, e até do Jabor, a jovem repórter resolver averiguar quais as reais motivações daquelas pessoas estarem ali na marcha.
Os primeiros respondem de uma forma firme e concisa: "Estamos aqui para discutir a mobilidade urbana, a gestão pública (e não mais privada) dos transportes públicos". Eram os garotos do MPL. Qual não foi a surpresa das respostas que ela coletaria a seguir...
E você?
Bem, dona jornalista, eu estou aqui porque sou contra a corrupção. Acho que tem muito corrupto no Brasil. Por exemplo, o cara se elege. Viu? É corrupto (falou o vereador do PMN)
E você?
Sou contra a homofobia, sabe. E também sou contra a macumba. Por que sou evangélico. E sou contra esse negócio de, sei lá... ficar distribuindo cartilha pra ensinar criança a fazer sexo... (falou um baixinho bigodudo com a bíblia na mão)
E você?
Sou contra o aborto....as pessoas têm que segurar suas genitálias... Falo por experiência própria, já que nunca segurei a minha..hahahaha (completava a sorridente garota mascando chiclete..)
E você?
Ah, cara, sei lá mano, tô aqui na pista...(um corintiano olhando atentamente pro seu smartphone)
E você?
Bem, estou aqui porque disseram que era seleção pro BBB...(era um garotão com a camisa com versos do Legião)
E você?
Olha, sou contra transportes públicos. Menos estado e mais mercado!!!!! (Era a Miriam Leitão)
E você?
Sou contra a construção da mesquita na praça do Sol, Tahir, Tasmin.. Pô, sei lá..vi umas mina maneira na TV e vou ver se pego aqui...(falaram em coro dois caras dentro do carro!)
E você?
Sou contra tudo isso que está aí.. (era um cara mais tranquilão chapado de maconha)
E você?
Por cara, sou contra não. Sou a favor...(falou um pinguço que estava fazendo horas pra voltar pra casa)
A repórter pirou...
Desconfiada com a repentina mudança de opinião do Datena e do editorial da Folha, e até do Jabor, a jovem repórter resolver averiguar quais as reais motivações daquelas pessoas estarem ali na marcha.
Os primeiros respondem de uma forma firme e concisa: "Estamos aqui para discutir a mobilidade urbana, a gestão pública (e não mais privada) dos transportes públicos". Eram os garotos do MPL. Qual não foi a surpresa das respostas que ela coletaria a seguir...
E você?
Bem, dona jornalista, eu estou aqui porque sou contra a corrupção. Acho que tem muito corrupto no Brasil. Por exemplo, o cara se elege. Viu? É corrupto (falou o vereador do PMN)
E você?
Sou contra a homofobia, sabe. E também sou contra a macumba. Por que sou evangélico. E sou contra esse negócio de, sei lá... ficar distribuindo cartilha pra ensinar criança a fazer sexo... (falou um baixinho bigodudo com a bíblia na mão)
E você?
Sou contra o aborto....as pessoas têm que segurar suas genitálias... Falo por experiência própria, já que nunca segurei a minha..hahahaha (completava a sorridente garota mascando chiclete..)
E você?
Ah, cara, sei lá mano, tô aqui na pista...(um corintiano olhando atentamente pro seu smartphone)
E você?
Bem, estou aqui porque disseram que era seleção pro BBB...(era um garotão com a camisa com versos do Legião)
E você?
Olha, sou contra transportes públicos. Menos estado e mais mercado!!!!! (Era a Miriam Leitão)
E você?
Sou contra a construção da mesquita na praça do Sol, Tahir, Tasmin.. Pô, sei lá..vi umas mina maneira na TV e vou ver se pego aqui...(falaram em coro dois caras dentro do carro!)
E você?
Sou contra tudo isso que está aí.. (era um cara mais tranquilão chapado de maconha)
E você?
Por cara, sou contra não. Sou a favor...(falou um pinguço que estava fazendo horas pra voltar pra casa)
A repórter pirou...
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O decálogo do perfeito idiota da direita
Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso.
por Marcos Coimbra
por Marcos Coimbra
Entre assombrações, equívocos e estereótipos, o pensamento conservador brasileiro anda atulhado de idiotices. Alguns nada mais fazem que repeti-las. Outros contribuem para aumentá-las. O título desta coluna alude àquele de uma obra que teve certa voga há quase 20 anos e hoje parece antediluviana. Publicado em 1996, o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano era um ataque contra a esquerda e expressava o neoliberalismo triunfante que se espalhava pelo continente. Quem discordasse de seus axiomas era idiota.
Passou o tempo e a história mostrou o inverso. Nenhuma das experiências de governo inspiradas no Manual deu certo. Os povos sul-americanos escolheram caminhos diferentes, de mais realizações. Quem zombava dos outros, com a agressividade verbal característica dos autoritários, é que se revelou um tolo.
Quais são as ideias típicas dos conservadores brasileiros na atualidade? Algumas são permanentes, outras conjunturais. Amanhã serão substituídas por novas idiotices. O estoque é imenso. Vamos às dez mais comuns:
O Brasil está à beira do abismo
Ainda que os cidadãos normais tenham dificuldade de entender quem diz isso, os genuínos idiotas da direita estão convencidos: vivemos o caos e estamos a caminho do buraco. Há exemplo mais patético que a “inflação do tomate”?
O Bolsa Família é esmola usada para manipular os pobres
Marca distintiva desses idiotas, a ideia mistura velharias, como a noção de que os pobres são constitutivamente preguiçosos, com a pura inveja de ter sido Lula o criador do programa. No fundo, o conservador despreza os mais humildes.
O Brasil tem um governo inchado
Mundo afora, depois de a crise internacional sepultar a tese de que Estado bom é Estado mínimo, ninguém mais tem coragem de revivê-la. A não ser no Brasil. Fernando Henrique Cardoso deixou 34 ministérios quando saiu do governo. Esse seria o tamanho ótimo? Cinco a mais se constitui uma catástrofe?
O Brasil tem municípios demais
Exemplo de idiotice conjuntural, é prima da anterior. Que sentido haveria em considerar imutável a organização administrativa de um país em que a população se movimenta pelo território, fixando-se em novas regiões?
O Judiciário é nosso deus e Joaquim Barbosa, nosso pastor
Como seus parentes no resto do mundo, os conservadores brasileiros desconfiam da política e têm ojeriza a políticos. Quem mais senão o presidente do Supremo Tribunal Federal encarnaria os “anseios da sociedade contra os políticos corruptos”? Transformado em ferrabrás dos petistas, Barbosa virou herói da direita.
O “mensalão” foi o maior escândalo de nossa história
Conversa para boi dormir entre os conhecedores da política brasileira, o “mensalão” não passa de um exemplo do modo como as campanhas eleitorais são financiadas. Só os desinformados acreditam ser ele um caso excepcional.
A liberdade de imprensa está ameaçada
Na vida real, ninguém leva isso a sério. Volta e meia, a ideia é, no entanto, usada pela imprensa conservadora para defender os interesses de um pequeno grupo de corporações de mídia. De carona, alguns políticos da oposição a endossam para preservar as relações privilegiadas que mantêm com os proprietários dos meios de comunicação.
Dilma antecipou a eleição
Desde ao menos o início do ano, a oposição de direita repete, em tom queixoso, o mantra. O que imaginava? Que uma presidenta tão bem avaliada não fosse candidata? Que fingisse não sê-lo? Qualquer idiota sabe que os governantes pensam na reeleição. Assim que tomam posse, entram no páreo.
O Brasil virou as costas para seus parceiros internacionais e se aliou aos radicais
A fantasia desconhece a realidade da política externa e o modo como funciona a diplomacia brasileira. É montada em duas etapas: primeiro, desconstrói-se a imagem de um país ou liderança. Depois, afirma-se que o governo a apoia. De qual país o Brasil se afastou, de fato, nos últimos anos?
O Brasil moderno está na oposição, o arcaico é governo
Trata-se de um erro factual, somado a muita pretensão. Ao contrário, como mostram as pesquisas, o governo é mais bem avaliado (e Dilma tem mais votos) entre, por exemplo, jovens e aqueles conectados à internet que na média da população. A oposição possui, é claro, sua base na sociedade. Em nada, no entanto, esta é “melhor” que aquela apoiadora do governo.
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Lula e Dilma acertam o tom
Tijolaço
Um vez, ouvi de Luiz Carlos Prestes, comentando alguns episódios na China, a frase: “Governo que não se defende merece cair”.
Embora não se esteja tratando de queda de Governo – afinal, apesar da polícia de Alckmin, estamos numa democracia – é inegável que o Governo brasileiro andou apanhando feio na luta que, querendo ou não, tem de travar com a mídia que pratica o “terrorismo informativo” ao qual se referiu a Presidenta Dilma Rousseff, ontem, na Rocinha.
Na véspera, em Curitiba – aliás, com Dilma – Lula havia definido: “”É impressionante a falta de verdade no jornalismo econômico”.
“”Achei que deixando a Presidência a imprensa ia me esquecer, mas foi pior”, disse Lula em seu discurso. “Há uma parte da imprensa que parece partido político. Seria melhor que lançassem candidato. Eles sabem tudo”, afirmou.”A companheira Dilma precisa saber que ela não está só, que o governo não está só”.
Mas, Lula, a mídia não se porta apenas como um partido, mas como um partido único, que não permite visões diferentes daquela que ela impõe e transforma em desqualificados e ridículos todos os que ousam ver e pensar de outra forma.
O discurso neoliberal, via mídia, se introjetou dentro das mentes de parte significativa de nossa elite intelectual.
E, devemos admitir, até de parte da soi-disant esquerda brasileira.
Rapidamente palavras como “modernidade”, “gestão”, “profissionalização”, “expertise” passaram a frequentar nosso vocabulário como jóias, enquanto ideologia, ideais, ousadia, e povo perdiam o lustro e se tornavam quase vício, defeitos, arcaísmos.
Quem não se conformou passou a ser tratado quase que como um primário, um maniqueísta privado de olhos para detalhes, tons, nuances e, sobretudo, incapaz de ser flexível e, necessariamente, incompetente.
Mas os rígidos, os intransigentes, os tirânicos são eles, que não admitem qualquer alternativa que não a dominação colonial, a formação de ilhas de prosperidade e sofisticação costeiras, nos entrepostos de onde partem para fora nossas riquezas, ah, e os aviões…
Os pobres, os selvagens, os subumanos que vão para a selva, agora na periferia, os guetos modernos, onde podem apenas assustar-nos, vez por outra, com seus “crimes hediondos”.
Lula quase foi devorado por esse “pensamento único” em seu primeiro mandato.
Salvou-o o povo, que reconhece nele um igual a si – a mesma desprezível identidade que nele enoja a nossa elite – e percebeu, em seu empirismo, que estava ali a possibilidade de se tornar cidadão que, para isso, é indispensável termos um país desenvolvido. E, num inexorável paralelismo, para sermos um país desenvolvido, sermos um país, com tudo o que de independência, altivez e autopreservação ser um país exige.
Quando Lula – e agora Dilma – recuperam a capacidade de dissentir das elites, de falar ao homem e às mulheres simples, de apontar o dedo aos responsáveis pelo atraso desta imensa e rica Nação, estão permitindo que a população corporifique e identifique os obstáculos àqueles desejos profundos, mas quase sempre inexpressos, a animam.
Mas, quando, ao contrário, assumimos os conceitos, os métodos, a ideologia e o discurso insípido e tecnocrático daquela gente, estamos prontos a nos deixar – e, muito pior, ao povo – derrotar por ela.
Porque ela, a elite, só admite a quem trai tão profundamente que passa a ver virtude na sua própria traição, como fizeram Fernando Henrique e José Serra.
Quando fazem isso, tornam-se extremamente destrutivos. Ou não foi assim que Mikhail Gorbachev demoliu em pouco tempo um gigante como a extinta União Soviética?
Fazer como eles é tornar-se um deles.
E é isso o que, falando claramente, apontando-lhes o dedo e acusando-os pelo crime de arruinar o país e seus sonhos, permite a um governante popular não terminar seu mandato vazio de significado, espremido como laranja por um sistema que mói seres humanos.
Quando perdemos nossas raízes, também perdemos a seiva que nos alimenta e murchamos, ressecamos, morremos politicamente.
Por: Fernando Brito
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O objetivo do MPL está bem longe do ponto de ônibus
A raiz do problema do transporte coletivo
André Araújo, no Luis Nassif Online
André Araújo, no Luis Nassif Online
Há quatro anos postamos artigo sobre a raiz do problema das empresas de transporte coletivo por todo o Brasil. Por que empresários modernos de capital aberto não se interessam por esse setor que tem grande faturamento? Todos correm atrás de concessões de usinas geradoras de energia, de portos, aeroportos, rodovias porque nenhum investidor quer saber de uma concessão de clientela segura e que paga a vista?
O setor de ônibus municipais é fechado em um pequeno grupo de empresários antiquados e acostumados a um casamento com a baixa política municipal, aliança que vem desde os anos 40.
Se o Movimento Passe Livre quer realmente uma solução melhor para o setor o caminho e acabar com esse conluio viciado entre prefeitos e câmaras com os empresários de ônibus. Isso é o que está por debaixo dos panos, é por isso que o setor não se renova, usa ônibus com carrocerias de caminhão, serviços ruins, explora motoristas e cobradores, tem manutenção péssima.
As concorrências são apenas para inglês ver, as áreas são todas demarcadas e acertadas, os empresários pelo Brasil inteiro, de Belém a Porto Alegre são geralmente meia dúzia em diferentes alianças, muitos deles tem mais de 10.000 ônibus divididos em dezenas de empresas de papel.
O setor tem péssimas práticas fiscais, societárias e trabalhistas, firmas cheias de passivos desaparecem e surgem outras na mesma linha no dia seguinte com outros laranjas como sócios, há muitos "macetes" manjadíssimos, mas que o poder politico finge não ver porque esses empresários são fortíssimos contribuintes para campanhas eleitorais.
Não adianta o MPL fazer quebra-quebra e passeatas para melhorar o setor, o buraco é mais embaixo.
Porque não sugerem uma agência nacional para regular e fiscalizar o transporte coletivo em cidades com população acima de 500.000 habitantes, onde o transporte é pior? Tirar esse maná das mãos dos prefeitos e principalmente câmaras, que são a outra ponta do conluio?
Se o MPL nem toca nisso, como vai melhorar o serviço e baixar os preços se o "esquema" não muda? Não estudaram o setor, não fizeram pesquisa? Como podem tratar do assunto sem saber?
O transporte coletivo de ônibus nas grandes cidades do mundo é geralmente da Prefeitura e não particular. Em Paris, Londres, Nova York o sistema de ônibus é estatal, não é privado. Esse setor não se presta a ser privado, é mais bem articulado sendo estatal, em São Paulo poderia ser da Companhia do Metrô, que tem boa tradição administrativa. Ônibus modernos, como os de Paris, melhorariam muito o transporte, isso não se conseguirá com o atual sistema-bacalhau, essa é uma boa causa.
Tenho porém minhas razões para desconfiar que a última coisa que interessa ao MPL é esse negócio de transporte coletivo, o objetivo deles está bem longe do ponto de ônibus, digo das lideranças que bolaram esse tambor, o resto é massa de manobra que participa pela emoção de participar.
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Paul Krugman defende renda mínima nos EUA
Solidariedade com os Luditas
Paul Krugman
Paul Krugman
O que acontece quando os empregos bons desaparecem? É uma pergunta que vem sendo feita há séculos.
Em 1786 os trabalhadores têxteis de Leeds, centro da indústria de lã no norte da Inglaterra, fizeram um protesto contra o uso crescente de máquinas que estavam desempenhando uma tarefa antes realizada por trabalhadores qualificados.
"Como esses homens, assim, destituídos de trabalho, vão sustentar suas famílias?" perguntaram os signatários da petição. "E a quem vão entregar seus filhos para serem aprendizes?"
Não eram perguntas tolas. Com o tempo --isto é, após duas ou três gerações-- a mecanização acabou levando a uma melhora ampla nos padrões de vida britânicos.
Mas está longe de ser claro se os trabalhadores comuns se beneficiaram de alguma maneira nas primeiras etapas da Revolução Industrial; alguns deles foram claramente prejudicados. E, em muitos casos, os trabalhadores mais prejudicados foram aqueles que tinham conquistado qualificações valiosas, com esforço --apenas para verem essas habilidades perderem valor de uma hora para outra.
Será que estamos vivendo em outra era desse tipo? E, se sim, o que vamos fazer a esse respeito?
Até pouco tempo atrás, a visão predominante dos efeitos da tecnologia sobre os trabalhadores era reconfortante, de certo modo.
Era evidente que muitos trabalhadores não estavam compartilhando plenamente --ou não estavam compartilhando nada-- os benefícios da produtividade crescente; em lugar disso, a maior parte dos benefícios chegava a uma minoria da força de trabalho.
Mas isso, dizia-se, era porque a tecnologia moderna estava elevando a demanda por profissionais altamente qualificados e reduzindo a demanda por trabalhadores menos instruídos. E a solução era mais educação.
Sempre houve problemas com essa história. Embora ela pudesse explicar o desnível salarial crescente entre profissionais com diplomas universitários e os não diplomados, não explicava por que um grupinho pequeno --o famoso "1%"-- estava tendo ganhos muito maiores que os profissionais altamente qualificados, em geral. Mesmo assim, essa história pode ter tido alguma base factual, uma década atrás.
Hoje, porém, está vindo à tona uma visão muito mais tenebrosa dos efeitos da tecnologia sobre a força de trabalho.
Segundo esse quadro, os profissionais altamente qualificados têm tantas chances quanto os menos qualificados de se verem substituídos e desvalorizados, e pressionar por mais educação pode gerar tantos problemas quanto os que resolve.
Já observei antes que a natureza da desigualdade crescente nos Estados Unidos mudou por volta de 2000. Até então, era trabalhador versus trabalhador; a distribuição da renda entre a mão de obra e o capital --entre salários e lucros, por assim dizer-- era estável havia décadas.
Desde então, contudo, a participação da mão de obra no bolo vem caindo de modo acentuado. E não se trata de um fenômeno exclusivamente americano, como ficamos sabendo.
Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho chama a atenção para o fato de que a mesma coisa vem acontecendo em muitos outros países, que é o que se poderia esperar se as tendências tecnológicas globais estivessem se voltando contra os trabalhadores. E algumas dessas viradas podem ser repentinas.
O McKinsey Global Institute lançou há pouco um estudo sobre uma dúzia de novas tecnologias importantes que, considera, provavelmente vão perturbar a organização atual de mercado e social.
Mesmo um olhar rápido para a lista contida no documento sugere que algumas das vítimas das mudanças serão profissionais hoje vistos como altamente qualificados e que investiram muito tempo e dinheiro na conquista dessas qualificações.
Por exemplo, o documento sugere que vamos ter muito "trabalho de conhecimento automatizado", com softwares fazendo coisas que antes exigiam o trabalho de profissionais com formação universitária.
A robótica avançada pode reduzir mais ainda os empregos no setor manufatureiro, mas também pode tomar o lugar de alguns profissionais médicos.
Então será que os trabalhadores deveriam simplesmente ficar preparados para conquistar novas qualificações? Os trabalhadores têxteis do século 18 em Leeds trataram dessa questão em 1786: "Quem vai sustentar nossas famílias enquanto nós empreendemos a árdua tarefa" de aprender um ofício novo?
Além disso, perguntaram, o que acontecerá se também esse novo ofício acabar sendo desvalorizado por mais avanços tecnológicos?
E os equivalente modernos daqueles trabalhadores têxteis podem perguntar mais: o que acontecerá conosco se, como ocorre com tantos estudantes, nos endividarmos profundamente para adquirir as qualificações que nos dizem que vamos precisar, para depois descobrir que a economia não precisa mais dessas qualificações?
Logo, a educação não é mais a resposta à desigualdade crescente, se é que alguma vez foi (algo do qual duvido).
Qual é a resposta, então?
Se o quadro que tracei estiver correto, o único jeito para podermos ter qualquer coisa que se assemelhe a uma sociedade de classe média --uma sociedade em que cidadãos comuns tenham a certeza razoável de manterem uma vida decente, desde que trabalhem duro e obedeçam as regras-- seria contar com uma rede social forte que garantisse não apenas a saúde, mas também uma renda mínima.
E, com uma parcela cada vez maior da renda ficando com o capital, e não com a força de trabalho, essa rede de segurança teria que ser paga, em larga medida, por impostos sobre os lucros e/ou sobre a renda de investimentos.
Já posso ouvir conservadores gritando sobre os males da "redistribuição". Mas o que, exatamente, eles proporiam no lugar dela?
Tradução de Clara Allain
Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia (2008), colunista do jornal "The New York Times" e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros e tem mais de 200 artigos científicos publicados.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Manifestantes do Movimento "Copa Para Quem?" foram pagos para fazer baderna
Manifestantes que participaram do protesto contra a Copa são detidos
Três suspeitos de terem levado os pneus em caminhões para a manifestação desta manhã estão na 5ª Delegacia de Polícia; eles teriam recebido R$ 250 para fazer o transporte do material
Três suspeitos de terem levado os pneus em caminhões para a manifestação nesta sexta-feira (14/6) foram detidos ainda nesta tarde. Eles estão na 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília) e, segundo informações dos policiais, teriam recebido R$ 250 para fazer o transporte do material até as imediações do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.
O motorista que teria transportado o material disse durante o depoimento que foi pago para levar os pneus de uma loja do P Sul até o centro de Brasília. Ele entregou nomes de pessoas envolvidas no pagamento, que formariam uma cadeia de distribuição desse dinheiro. A polícia procura em pelo menos quatro endereços por outros envolvidos no protesto. Há suspeitas de que os manifestantes sejam de Ceilândia e cidades do entorno, como Santo Antônio do Descoberto e Formosa. Ainda segundo as investigações, cada pessoa que participou do movimento teria recebido R$ 30.
O delegado da 5ª DP, Marcos Almeida, não descarta a possibilidade de que o protesto tenha sido uma movimentação política. "Se fosse um movimento altruísta, com o objetivo de desenvolvimento do país, para quê criar essa cortina de fumaça?". A polícia quer chegar até a pessoa que encabeça os pagamentos.
Os envolvidos podem ser enquadrados por crime de incêndio, art. 250 do código penal, e pegar de três a seis anos de detenção sem direito a fiança.
Mais cedo, o secretário disse que não iria permitir outra situação como a do protesto que ocorreu nesta sexta. "É uma manifestação disfarçada de cunho social, mas na verdade é baderna. Prometemos medidas duras se houver protestos amanhã. O intuito não é coibir a democracia, mas a desordem".
Apesar das declarações feitas pelo secretário, o Movimento Copa Para Quem? promete repetir a ação neste sábado (15/6).
Protesto
Manifestantes causaram caos no trânsito na manhã desta sexta-feira (14/6), próximo ao Mané Garrincha. O tumulto começou por volta das 10h, durante um protesto do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) contra o dinheiro que foi gasto na reforma do estádio.
Segundo a PM, cerca de 250 manifestantes bloquearam a passagem dos carros, com pneus queimados, nos dois sentidos do Eixo Monumental, provocando congestionamentos.
Com informações de Larissa Garcia e Mara Puljiz.
Haddad tenta diálogo com extremistas de direita
Haddad difere de Alckmin e chama MPL ao diálogo
Brasil 247 – O prefeito Fernando Haddad, do PT, adotou uma postura diametralmente oposta da do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, na questão da verdadeira em que se transformou a questão do aumento das tarifas de ônibus em São Paulo.
Numa iniciativa para descriminalizar o assunto, Haddad resolveu não apenas reconheceu, como abrirá as portas da Prefeitura de São Paulo para o Movimento Passe Livre. Na próxima terça-feira 18, os integrantes do Conselho da Cidade irão ouvir exposições dos mesmos jovens que participaram de quatro passeatas em protesto contra o aumento das passagens e a baixa qualidade do sistema de transporte.
Ao mesmo tempo, a administração municipal irá explicar como se dá a composição da tarifa de ônibus.
Haddad criticou a ação policial, na quinta-feira 14, que resultou em mais de 200 prisões e na agressão física a jornalistas. O governador Geraldo Alckmin, ao contrário, defendeu a ação da PM, sendo acompanhando nesta avaliação por seu secretário de Segurança.
Abaixo, nota da Prefeitura de São Paulo sobre o assunto:
Prefeitura convida MPL para apresentar propostas para o Conselho de Cidade
A Prefeitura de São Paulo irá convocar uma reunião extraordinária do Conselho da Cidade na próxima terça (18) para discutir o transporte público em São Paulo. Por determinação do prefeito Fernando Haddad, o MPL (Movimento Passe Livre) será convidado para fazer uma apresentação diante dos conselheiros para explicar suas propostas e visões para o setor.
A administração municipal também irá apresentar detalhes sobre a composição de preço da tarifa de ônibus, a evolução da despesa orçamentária com o subsídio e os planos para a melhoria na qualidade do sistema. Depois das duas apresentações, o debate será aberto para a participação dos conselheiros e sugestões de encaminhamento.
O Conselho da Cidade foi instalado no dia 26 de março para servir como um novo canal de diálogo com a sociedade. É um órgão consultivo, formado por representantes dos movimentos sociais, entidades de classe, empresários, cientistas e pesquisadores, artistas e lideranças religiosas. Os conselheiros têm quatro reuniões ordinárias por ano, para discutir assuntos da cidade, como, por exemplo.
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Standard & Poor's: agência de risco sem credibilidade
“Inflação em baixa? Investimento em alta? Bobagens. Nada mereceu o destaque atribuído ao carimbo negativo com o qual a Standard & Poor’s revisou a ‘perspectiva da nota de longo prazo’ atribuída ao país”
Márcia Denser
Márcia Denser
O jornalista Saul Leblon, no editorial da Carta Maior da semana passada, novamente acerta na mosca ao desancar a (má) avaliação feita do Brasil pela Standard & Poor’s, aliás festejadíssima pelo eterno Febeapá – Festival de besteiras que assola o país – e a mídia entreguista idem.
Diz Saul que, finalmente, a Standard & Poor’s, agência de risco internacional, atende aos clamores da mídia brasileira (o chamado PIG – Partido da Imprensa Golpista) e endossa o veredicto para o Brasil como país em “espiral descendente”. Eis o critério: avalia-se com indiferença o vigor do mercado doméstico, desdenha-se as obras de infraestrutura e logística social em marcha na economia, só conta o “saldo negativo” de mais um governo “gastador e intervencionista”.
Inflação em baixa? Investimento em alta? Bobagens. Nada mereceu o destaque atribuído ao carimbo negativo com o qual a Standard & Poor’s revisou a “perspectiva da nota de longo prazo” atribuída ao país. É o velho truque da profecia autorrealizável, que os tambores locais endossam e engrossam. Aliás, o chute da Standard & Poor’s ecoa como uma espécie de 11º mandamento da ortodoxia reinante e as trombetas apocalípticas do PIG ressoam funereamente em coro, com fumaças de sentença inapelável.
Ignora-se a folha corrida da fonte, tanto quanto sua credibilidade. A ortodoxia e a causa comum tudo justificam. Ou seja: curvar o Brasil atual (agora com Dilma) no altar dos mercados internacionais; interditar a formação do discernimento da sociedade sobre os problemas reais vividos pela transição do desenvolvimento brasileiro.
Paul Krugman, em artigo recente com o sugestivo título “Credibilidade, cara-de-pau e dívida”, diz: “Para compreender todo o furor envolvendo a decisão da Standard & Poor’s, a agência de classificação de crédito, de rebaixar a nota dos títulos da dívida americana, é preciso ter em mente duas ideias aparentemente (mas não de fato) contraditórias. A primeira é que os Estados Unidos não são mais o país estável e confiável de antes. A segunda é que a própria S&P goza de credibilidade ainda menor: é o último lugar de onde alguém deveria esperar avaliações sobre as perspectivas do país.”
Comecemos com a falta de credibilidade da S&P.
Se há uma expressão, que descreve a decisão da agência de classificação de crédito de rebaixar a nota dos EUA, esta é a cara de pau – definida pelo engraçadíssimo exemplo do jovem que mata os pais e depois implora por clemência alegando ser órfão.
Afinal, o imenso déficit orçamentário dos EUA é em grande parte resultado de um declínio econômico que se seguiu à crise financeira de 2008. E a S&P, juntamente com as demais agências de classificação de crédito, desempenhou papel importantíssimo na precipitação dessa crise, concedendo notas AAA a ativos lastreados em hipotecas que desde então se transformaram em lixo tóxico.
Mas as avaliações incompetentes não pararam por aí. Num episódio agora famoso, a S&P concedeu ao Lehman Brothers, cujo colapso deu início a um pânico global, uma nota A até o mês da sua quebra. E qual foi a reação da agência depois que esta empresa foi à falência? Ora, a S&P publicou um relatório negando qualquer erro.
E são estas as pessoas que agora dão sua eminente opinião sobre a credibilidade dos Estados Unidos? (De forma que vocês imaginem o resto, Brasil incluído)
E a coisa não para por aí. Antes de rebaixar a nota da dívida americana, a S&P enviou ao Tesouro dos EUA um rascunho do seu comunicado à imprensa. Os funcionários americanos logo repararam num erro de US$ 2 trilhões nos cálculos, algo que qualquer especialista em orçamento teria calculado corretamente. Depois de certo debate, a S&P reconheceu o erro e rebaixou a nota mesmo assim. Num ponto mais amplo, as agências de classificação de crédito nunca deram a ninguém motivo para levar a sério suas opiniões sobre a solvência nacional. É verdade que, em geral, os países que declararam moratória tiveram suas notas rebaixadas antes da consumação desse fato.
Mas, nesses casos, as agências de classificação apenas seguiram os mercados, que já tinham se voltado contra tais devedores problemáticos. E, nos raros casos em que as agências rebaixaram a nota de países que ainda tinham a confiança dos investidores – como os EUA hoje -, elas se mostraram equivocadas. O caso do Japão, que teve a nota de sua dívida rebaixada pela S&P em 2002, só por si foi lapidar: nove anos mais tarde, o Japão ainda consegue obter empréstimos com facilidade e a juros baixos. Na verdade, atualmente, os juros sobre as obrigações japonesas com prazo de dez anos, são de apenas 1%.
Assim, não há motivo para levar a sério o rebaixamento da nota da dívida americana, tanto quanto a má avaliação brasileira. Afinal, estamos falando das últimas pessoas de quem deveríamos aceitar conselhos. Leia-se aqui também os jornalões do PIG, principalmente os jornalões do PIG.
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