sábado, 10 de outubro de 2009

Carta aberta ao presidente Obama, prêmio Nobel da Paz

Parabéns Presidente Obama pelo Prêmio Nobel da Paz – Agora faça por merecê-lo!

Sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Caro presidente Obama,

Que coisa notável que o senhor tenha sido reconhecido hoje como um Homem de Paz.

Seus ágeis e incisivos pronunciamentos – o senhor fechará Guantánamo - o senhor trará nossas tropas de volta do Iraque - o senhor quer um mundo livre de armas nucleares - o senhor admitiu aos iranianos que nós derrubamos seu governo democrático em 1953 - o senhor fez o grande discurso ao Mundo Islâmico no Cairo - o senhor eliminou aquela frase inútil “Guerra ao terror” - o senhor ordenou o fim do uso da tortura. Tudo isso nos fez, e ao resto do mundo, sentir um pouco mais seguros, considerando o desastre que foram os últimos oito anos. Em oito meses o senhor mudou nossa imagem e levou esse país a uma direção muito mais sadia.

Mas...

A ironia do senhor ter sido premiado no segundo dia do nono ano de nossa Guerra no Afeganistão não passou despercebida a ninguém. O senhor realmente está numa encruzilhada agora. Pode ouvir os generais e expandir a guerra (com o previsível resultado da derrota) ou pode declarar as Guerras de Bush encerradas, e trazer nossas tropas de volta. Isso é o que faria um verdadeiro Homem de Paz.

Não há nada errado em fazer o que o último sujeito não conseguiu - capturar o responsável pelo massacre de 3.000 pessoas no 11/09. MAS O SENHOR NÃO PODE FAZER ISSO COM TANQUES E TROPAS. O senhor está perseguindo um criminoso, não um exército. Não se usa dinamite para caçar um rato.

O Talebã é outro assunto. É um problema que cabe ao povo do Afeganistão resolver – assim como fizemos em 1776, os franceses em 1789, os cubanos em 1959, os nicaragüenses em 1979 e o povo de Berlim Oriental em 1989. Uma coisa é certa em todas as revoluções feitas pelos povos que desejam a liberdade: somente eles podem consegui-la para si mesmos. Outros podem apoiar, mas a liberdade não pode ser trazida no banco da frente de alguém dirigindo um Humvee.

O senhor tem que encerrar nosso envolvimento no Afeganistão já. Senão terá que devolver o prêmio a Oslo.

Atenciosamente.

Michael Moore

Soldados num Humvee
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1 comentários:

Guilherme Scalzilli disse...

Nobel infame

O Nobel da Paz para Barack Obama é uma brincadeira de mau gosto. Nada muito destoante dos condecorados anteriores, com a diferença de que o estadunidense nem precisou fingir que trabalhava para “fortalecer a diplomacia internacional e cooperação entre os povos” – primeiro porque não teve tempo e segundo porque não quis.
Ele é responsável pela sobrevivência de um campo de concentração e duas guerras injustificáveis, espalhou bases militares na América Latina e silencia perante um golpe de Estado a poucas horas de Miami.
Mas o comitê sueco quis enfraquecer o reacionarismo obtuso dos adversários do presidente. Aproveitou o grande marco histórico de sua vitória para lhe estender um salvo-conduto ainda mais duradouro e temerário que o já concedido pela provinciana imprensa mundial.

Dylan-Lá

Bob Dylan, descubro estupefato, concorre quase todo ano ao prêmio de literatura. Sua nova indicação, com apoios importantes, anuncia que a homenagem pode voltar a considerar apenas a importância da obra, não contingências político-biográficas. É só o velho bardo resistir mais alguns anos; o churrasco está marcado.

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