segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Reaça do dia 30/11

O menininho que falava demais

Eu ia mudar de assunto hoje, mas quando se mexe no lixo as coisas vão aparecendo. Segundo a Agência Assaz Atroz a organização criminosa Ternuma escreveu bastante sobre César Benjamin e eu fui lá ler. Para quem não sabe Ternuma significa "Terrorismo Nunca Mais" e é um grupo de assassinos, torturadores e ladrões que defendem seus "ideais" até hoje. O ideal deles é torturar, matar , roubar e não ir para a cadeia. O Ternuma apresenta a versão dos criminosos de 64 sobre as barbaridades dos anos de chumbo. Não deixa de ser interessante porque, ao contrário de criminosos como os Frias e Marinho, eles assumem o que fizeram e defendem seus crimes.

Pois bem, O Ternuma, em seu site, diz que o atual diretor-presidente da RTVE do Paraná e colunista da Folha César de Queiroz Benjamin era muito diferente da terrorista Dilma. Essa, mesmo sob tortura, mentiu para os carrascos e não entregou seus companheiros, já o "Menininho" era muito eloquente: sem tortura nenhuma entregou todo mundo e elogiou os milicos por escrito. Já na época tinha o mesmo caráter de hoje.

Para quem acha absurdo acreditar nos bandidos do Ternuma eu respondo que acreditar nos bandidos dos Frias é pior ainda. Se for mentira, Cesinha, processe os filhos da puta. Com sua belíssima renda atual dá para contratar os melhores advogados. Contrate-os e processe esses difamadores do Ternuma, Meninininho.

Trecho:

Na tarde de 06 de agosto, encontraram-se, no centro de Salvador, César de Queiroz Benjamin ("Menininho") e José Carlos de Souza. Como assunto principal, estabeleceram que Iara seguiria para Feira de Santana, onde havia melhores condições de segurança, e ele, José Carlos, incorporar-se-ia ao trabalho de campo, em Brotas. Há algum tempo na vigilância, policiais deram voz de prisão aos dois militantes. O "Menininho" atracou-se com os agentes, chegou a atirar e conseguiu fugir (pela 2ª vez) ao cerco, dirigindo-se para a então Guanabara. Menos feliz, José Carlos foi preso e começou a denunciar diversos companheiros.

A partir de 17 de agosto, Iara Iavelberg, agora com os novos codinomes de "Gil", "Liana" e "Leila", passou a residir no apartamento 201, do Edifício Santa Terezinha, na Rua Minas Gerais, 125, na Pituba, com Jaileno Sampaio da Silva e sua companheira Nilda Carvalho Cunha, além da irmã desta, Lúcia Bernardeth Cunha.

No dia 20 de agosto de 1971, através das declarações de José Carlos, a polícia cercou o Edifício Santa Terezinha e exigiu a rendição dos ocupantes do apartamento 201. Após terem sido presos Lúcia, Jaileno e Nilda, Iara Iavelberg foi encontrada no apartamento vizinho, o 202, onde se escondera no início do cerco. Não vendo possibilidades de fuga e assolada por bombas de gás lacrimogênio, a amante de Lamarca suicidou-se com um tiro no coração.

No dia seguinte, um sábado, às 1900 horas, logo depois de passar um telegrama do Rio de Janeiro para Iara (sem saber que ela já estava morta), o "Menininho", num Volks com Ney Roitman, Alberto Jak Schprejer ("Souza", "Beto") e sua amante Teresa Cristina de Moura Peixoto ("Tetê"), é detido por uma "Operação Pára-Pedro", na Avenida Vieira Souto, na altura do Jardim de Alá. Ao serem solicitados os documentos, o "Menininho" saiu rapidamente do carro, fugindo correndo entre os transeuntes. Pela 3ª vez, conseguia escapar de um cerco policial. No veículo, ficaram o diário de Lamarca e cartas para Iara, escritas de 29 de junho a 16 de agosto, que forneceram, aos órgãos de segurança, a certeza de onde deveriam procurar e concentrar esforços a fim de capturá-lo.

Enquanto isso, as declarações de José Carlos de Souza ajudavam a colocar mais dirigentes do MR-8 na cadeia. Em 27 de agosto, foi a vez de Diogo Assunção de Santana e Milton Mendes Filho.

No dia seguinte, a polícia chegou em Buriti Cristalino, dando voz de prisão aos ocupantes da casa dos irmãos Campos Barreto, que reagiram com intenso tiroteio. Ao final, Olderico foi preso, ferido no rosto e na mão direita, enquanto Otoniel foi morto, quando tentava a fuga. Dentro da casa, o cadáver de Luiz Antônio Santa Bárbara, que se matara com um tiro na cabeça. Era o 3º suicídio de militantes do MR-8 para não denunciarem Lamarca que, acampado a poucos quilômetros do lugarejo de Buriti Cristalino, ouvira os tiros e fugira, internando-se com Zequinha mata a dentro.

Sem saber do acontecido e sentindo-se "queimado" no Rio de Janeiro, César de Queiroz Benjamin retornou a Salvador, sendo preso em 30 de agosto, num "ponto" delatado por Jaileno, no Rio Vermelho. Após longa série de assaltos e ter escapado de três choques com a polícia, o "terrível Menininho", com apenas 17 anos, mostrou-se extremamente dócil nos interrogatórios. Suas extensas declarações, todas de próprio punho, desvendaram a linha política e as ações do MR-8. Muitos militantes foram, então, identificados. Chegou, inclusive, a fazer uma análise dos métodos de interrogatório aplicados, declarando-se surpreso com o bom tratamento recebido e com o nível de seus interlocutores.

Com essa nova e importante fonte, os órgãos de segurança, que já haviam retirado boa parte de seus efetivos da região de Brotas de Macaúbas, retornaram ao local, iniciando-se nova caçada a Lamarca e a Zequinha.

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