quinta-feira, 1 de julho de 2010

Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Veja faz jornalismo

Casamento de Índio com Cacciola, na Veja, agora é “relacionamento”
por Pedro Saraiva

Impossível ler o semanário da elite conservadora e não se lembrar do “1984″ de George Orwell. Para quem ainda não o leu, o excelente livro, que ironicamente inspirou um dos mais lamentáveis programas de TV, o Big Brother, conta a história de um regime totalitário que mantém sua vasta população completamente alienada através de atos como eliminar notícias, livros e documentos com informações do passado que possam ser constrangedoras para o “Partido” no presente, reescrevendo-os de modo a que se “adaptem” a nova realidade.

Na era da internet, apagar informações é impossível, mas a Veja arranjou um modo de criar a sua própria versão do “duplipensar”. Nem é preciso voltar à década de 1980 quando a revista fez ampla campanha pelo “Caçador de Marajás” para, tempos depois, descartá-lo como se não tivesse passado os últimos anos elogiando o jovem Governador de Alagoas. Basta olharmos para os últimos 3 anos e vamos encontrar indícios de que o semanário apresenta uma completa ausência de compromisso com o que escreve. Três exemplos simples:

1- Denise Abreu, a charuteira, mentirosa e oportunista da edição de 29/08/2007 virou testemunha acima de qualquer suspeita contra a então Ministra Dilma no caso da venda da Varig. Mesmo sem mostrar uma única prova, virou estrela da revista.

2- O promotor José Carlos Blat que em 15/02/2006 era tratado como promotor corrupto associado ao contrabandista chinês Law Kin Chong, virou o promotor herói do caso Bancoop ao investigar supostas doações ilegais à petistas.

3- O Ex-governador do DEM José Roberto Arruda era tratado em 15/07/2009 como governador modelo: moderno, honesto e bom gestor. Elogios, aliás, que foram frequentes em mais de um edição da Veja, já visando sua indicação ao posto de vice-presidente na chapa com José Serra. Depois da sua prisão pela Polícia Federal, desprezo completo pelo ex-aliado e silêncio sobre os elogios anteriores.

Pois hoje, ao procurar saber o que a revista teria preparado sobre o deputado Antônio Pedro Indio da Costa, descobri mais uma “adaptação” do passado. Diz a revista, agora em 30/06/2010, que Indio apenas namorou a filha do banqueiro Salvatore Cacciola, e que o inocente affair terminou no ano de 2000. Rafaella Cacciola era apenas mais uma na sua imensa lista de namoradas. O problema é que a mesma Veja, em 11/04/2001, não só mostrava que o casal ainda estava unido, como afirmava que eram casados e estavam de mudança para o Leblon. Em quem acreditar? Na Veja de 2010 ou na Veja de 2001?

Apenas alguns exemplos de como funciona a principal revista da Editora Abril. Para quem a assina, pouco importa se a guerra de hoje é contra a Eurásia ou a Lestásia, o importante e seguir repetindo ad nauseam o discurso do Grande Irmão. Porém, para quem tem mais de 2 neurônios, essas alterações da História, além de beirarem o ridículo, não são nada originais.

Em tempo: quem imaginaria ver a Veja defendendo Indio?
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P.S. do Esquerdopata Quem traduziu "Big brother" por "Grande irmão" é um completo iletrado na língua de Shakespeare. Big brother é o irmão mais velho, o companheiro certo das horas incertas. Aquele que te defende e protege incondicionalmente, tal qual a Veja ao Serra.

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3 comentários:

Anônimo disse...

Sobre essas pedradas, digo, títulos "traduzidos" p/ o portugues, em especial no Brasil ... já nao digo mais nada.

Sao ridículas, nojentas, monstruosidades contra o criador e suas idéias.

Há casos escabrosos no teatro, em filmes, em seriados de tv, em títulos de matérias jornalísticas, etc ...

Francamente, vergonhosos.

Inté,
Murilo

josé lopes disse...

Tinha que ser do DEM e de seu parlamentar Índio da Costa o relatório do projeto Ficha Limpa que deixou uma brecha eivada de vícios para que os políticos que cometeram crimes no passado ficassem impunes. O DEM tem tantos políticos com fichas sujas, sendo processados, que agora sabemos o porquê da brecha que teve que subir ao TSE para dirimir "dúvidas".

josé lopes disse...

Tinha que ser do DEM e de seu parlamentar Índio da Costa o relatório do projeto Ficha Limpa que deixou uma brecha eivada de vícios para que os políticos que cometeram crimes no passado ficassem impunes. O DEM tem tantos políticos com fichas sujas, sendo processados, que agora sabemos o porquê da brecha que teve que subir ao TSE para dirimir "dúvidas".

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