sábado, 20 de novembro de 2010

Carta a Luiz Carlos Prates

Fonte 

Caro Sr. Luiz Carlos Prates,

Me chamo Plínio, sou professor de História e, como tantos outros das camadas mais baixas da sociedade, consegui comprar um automóvel nos últimos anos devido à facilidade de crédito implantado pelo governo Lula. Assim como tantos outros, adquiri um carro popular, já com 4 anos de uso e sem qualquer acessório que produza maior conforto ou coisa do tipo.

Porém, gostaria de relatar algo que o Sr. provavelmente não sabe, ou tenta evitar saber, ao expor seus comentários ao vivo na TV. Da mesma forma que o governo do presidente Lula me permitiu adquirir um carro popular, também me permitiu continuar meus estudos. Durante este governo, graças aos investimentos em educação e apoio à pesquisa, foi possível a uma pessoa como eu, vinda de família pobre e do interior do estado de Minas Gerais, fazer o mestrado e hoje cursar o doutorado numa instituição pública federal de ensino superior.

Mais ainda, Sr. Luiz Carlos Prates, este mesmo governo me permitiu ascender socialmente e obter estabilidade ao ampliar as instituições de ensino comprometidas com a oferta de cursos técnicos e superiores, como as Universidades e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, numa das quais hoje sou professor efetivo. Foram inúmeros concursos e a efetivação de milhares de docentes e técnicos nestas instituições. E é exatamente sobre este aspecto que gostaria de avançar na minha discussão.

O Sr. afirma que este governo permitiu a quem “nunca tinha lido um livro” adquirir um carro através do crédito fácil. Porém, esquece-se o Sr. de mencionar que este governo “espúrio” investiu mais em educação do que qualquer outro. Este mesmo governo deu acesso às camadas mais baixas da população aos bancos das universidades e permitiu a diversos jovens estudarem e terem uma profissão ao ampliar as escolas técnicas por todo país.

Não, Sr. Luiz Carlos Prates, estas pessoas que compram carros hoje não são tão “miseráveis” e “desgraçadas” quanto o Sr. pensa. Pelo contrário, estas pessoas compreendem melhor a sociedade em que vivem e os grandes ganhos que tiveram nos últimos anos.

Não, Sr. Luiz Carlos Prates, estes indivíduos não passeiam de carro para amenizar os conflitos entre maridos e esposas. Estes indivíduos saem para celebrarem, juntos, a felicidade de uma nova vida que se constrói. Não são pessoas frustradas, pelo contrário, são indivíduos REALIZADOS. Na verdade, frustrada é a elite que sempre teve este país nas mãos e que agora não consegue aceitar que as camadas mais pobres ascendam e passem a ter acesso àquilo que era tido como exclusividade dos grupos privilegiados economicamente.

Não, Sr. Luiz Carlos Prates, os acidentes nas rodovias não acontecem por causa destes “miseráveis” e “desgraçados”. São diversos os motivos dos acidentes, entre eles, o excesso de velocidade daqueles que podem adquirir os modelos de automóveis mais luxuosos e velozes e que, mesmo com toda a tecnologia de seus carros, também não conseguem “vencer as curvas” e outras barreiras que possam aparecer – entre elas, veículos de indivíduos inocentes.

Por fim, caro Sr. Luiz Carlos Prates, gostaria de informar-lhe que consegui trocar de carro. Ainda circulo por aí, nas tão movimentadas estradas do país, com um automóvel popular, mas já mais novo e com algum conforto a mais que o primeiro. Eu, minha esposa e minhas lindas filhas estamos felizes com o nosso automóvel, com a nossa casa ainda alugada e com as viagens que podemos fazer. Espero que o Sr. reflita sobre o quão preconceituoso e desvinculado da realidade foi o seu comentário que ganhou repercussão por todo o país.

Sem mais, despeço-me aqui. Um cordial cumprimento deste homem proprietário de um humilde carro popular comprado graças ao crédito fácil com parcelas a perder de vista, mas feliz.

Guanhães/ MG, 19 de novembro de 2010.

Plínio Ferreira Guimarães


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8 comentários:

Airton disse...

Isto foi algo parecido com um "chute no saco"
Parabéns Sr. Plínio !

http://metalcadente.blogspot.com/2010/11/o-exemplo-do-presidente.html

Anônimo disse...

Sabe que quase que eu me enganei, pensei que fosse algo relacionado a psicografia. Achei que o cara estava escrevendo uma carta para Luis Carlos Prestes! hehehehe!

Anônimo disse...

Was mich nicht umbringt, macht mich stärker. Friedrich Nietzsche, Götzen-Dämmerung.

O que não me mata me torna mais forte. Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

J. Carlos disse...

Parabéns Professor,
Em Aracaju/SE chamamos de: “Tapa com Luca de pelica” Não sei se o Energúmeno vai entender, mas que ele faz jus, a isso faz!

J. Carlos disse...

Olha ai pessoal,
Vamos dar uma força votando no nosso guerreiro PHA.
Ou vamos deixar que os fascistas vençam o nosso querido Guerreiro Paulo Henrique Amorim?
Repasse para os demais blogueiro progressista.
O link é
http://www.whopopular.com/Paulo-Amorim
depois é clicar em + voto.

Anônimo disse...

Se vocês acham que o Prates é uma voz isolada, dêem uma espiada neste post (atenção: tampem bem os narizes, pois é extremamente mal-cheiroso!)
http://www.jornaltribuna.com.br/opiniao.php?id_materia=36953

John.Net disse...

Pois essa é a cidade minha e dos meus pais São Miguel y Almas de Guanhães.

Lugar de gente sábia, honesta e brava.

Nesse pequeno município mineiro de 30.000 habitantes a Dilma deu uma lavada no serrote de 70 a 30%.

Orgulhoso demais das minhas origens.

Flavio Lima disse...

Mas o imbe4cil precisa ler isso. SWera que vai chegar nas mãos dele?
Parabens Plinio, disse tudo o que gostaria que fossaa dito.

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