A guerra que não terminou
Por Maria Lucia Andrade Pinto
Tivemos uma campanha eleitoral nos moldes das campanhas estadunidenses. Acumularam-se os crimes contra a honra, o assédio moral e o bullying em relação à então candidata Dilma Rousseff. Mentiras e calúnias foram repetidas de muitas formas: emails apócrifos que invadiam as caixas de entrada, telemarketing, panfletos distribuídos nas ruas, nas portas das igrejas ou colocados nas caixas de cartas, matérias e reportagens mentirosas e tendenciosa na mídia.
Não me consta que se tenha ingressado com alguma ação em Juízo contra essa violenta campanha difamatória. Ou que algum órgão da Justiça Eleitoral tenha visto nesses fatos um gravíssimo crime eleitoral - já que por meio da propaganda, evidentemente financiada por grupos políticos, se alterava a percepção do eleitorado - e agido para coibir o crime.
Em todo o país foi sentida uma escalada de violência em decorrência desses fatos. No Ceará, houve o assassinato de um rapaz que fazia a campanha da Dilma. Houve o relato de uma criança agredida por coleguinhas numa escola particular em São Paulo. A partir daí, aos sussurros, ouvia-se falar em clima conflituado, especialmente entre crianças e jovens, em função do que ouviam em casa dos pais, contrários à eleição de Dilma.
É ilusão pensar que a campanha difamatória terminou. Prosseguem os emails apócrifos, as ações de grupos e instituições de direita e os ataques pela mídia. Os episódios estão se seguindo. Até o momento, não se sabe de qualquer processo ou decisão de órgãos do Judiciário a respeito. E está havendo uma forte pressão na mídia em geral e nos comentários em blogs para se considerar que punir crimes na web é atentar contra a liberdade de expressão. A Deusa Liberdade de Expressão está com mais IBOPE que o Estado de Direito. À essa Deusa tudo é permitido e tolerado. Até o dia em que o feitiço se vire contra o feiticeiro e contra todo o país.

13 comentários:
É verdade. Estamos esperando até hoje uma notícia sobre o ingresso de um processo contra esses crimes cometidos contra a honra da nossa Presidente durante a campanha.
Ainda está em tempo!
Sérgio Loureiro
Esperemos que o Ministro da Justiça fique esperto em relação à punição de crimes na web, previstos em nossas leis, mas que não vejo punidos nunca.
Como foi o caso dos ataques aos nordestinos logo após as eleições e,agora, essa loucura dos tweets no dia da posse,incitando ao magnicídio.
Se houver impunidade,a web vai virar um campo propício a todo tipo de bandidagem e crimes contra os direitos à honra, à privacidade,à integridade moral e física etc
Edna Alessi
Muito bom o alerta da Maria Lucia, uma comentarista sempre atenta ao essencial.
Não podemos permitir a continuidade dessa guerra de ódio e divisionismo em nosso país.
Diante de tudo que assistimos durante a recente campanha e diante do trágico atentado e assassinatos ocorridos na semana passada nos EUA, abre-se uma grande oportunidade de um sério debate sobre o tema em nosso país.
O Eduardo Guimarães tem postado excelentes matérias sobre o tema.
Vamos ao debate! Terrorismo político jamais!
Paulo Silva
BRILHANTE a ANÁLISE APRESENTADA!!!!
ONDE ESTÁ O JUDICIÁRIO E OS ÓRGÃOS QUE REPRESENTAM A JUSTIÇA NESSE PAÍS? PROCURADORIAS......E AÍ?????
Se não houver uma investigação sobre esses crimes cometidos na campanha, inclusive o episódio "bolinha de papel",teremos a continuidade dos mesmos garantida.
A impunidade é o sinal verde para que esse tipo de crime se torne usual e "aceitável". Será a definitiva banalização do mal.
E já vemos que todo esse incitamento ao ódio tem gravíssimas consequências, como atestam os fatos ocorridos em Atlanta-USA.
Aqui a escalada segue: vide tweets fazendo a apologia do crime no dia da posse da Presidente Dilma.
André
Tem mesmo que martelar em cima desse tema!
Os crimes foram cometidos e não houve punição. Foram crimes gravíssimos. Que o atual Ministro da Justiça se interesse pela averiguação desses crimes da campanha.
Porque tudo indica que vai seguindo tudo na mesma toada!E nem sinal de averiguação.
Ana Clara
O que fizeram na campanha com a atual Presidente Dilma Rousseff foram verdadeiras sessões de tortura mental e emocional.
Como ficaram impunes as torturas que ela sofreu ainda bem jovem durante a ditadura, vamos torcer para que essas últimas e as atuais( pois tudo continua igual) sejam devidamente averiguadas e punidas.
Mariana
As calúnias, as mentiras infamantes geram o ódio ao/à caluniado/a.
A caluniada candidata Dilma perdeu por isso muitos votos e passou a ser odiada pelos que não sabem que se tratam de mentiras e calúnias o que foi propalado a seu respeito.
Sabemos muito bem que é diminuta a parcela da população que tem acesso a informações verazes. A maioria acredita no que ouve nos telejornais e ouve dizer por aí ou lê nos jornalões.No caso dos emails apócrifos,dos panfletos "religiosos" e do telemarketing, o efeito foi até mais devastador sobre as mentes ingênuas.
As mulheres como a Presidente Dilma, quando no poder são um alvo perfeito,já que se acumulam os estereótipos e preconceitos contra a mulher com o ódio político.
Que não se fique na impunidade!
Luísa Mendes Avellar
Pela apuração imediata de todos os crimes contra a honra cometidos contra a nossa Presidente durante a campanha e depois dela!
São crimes geradores de ódio.Sem punição tendem a se repetir sempre.
Leonardo Vitti
Maria Lucia pode estar certa que este jogo sujo não vai colar. O povo não é culto mais é inteligente. Eles vão amargar um longo periodo para voltar ao poder.
Infelizmente o jogo sujo da direita muitas vezes cola,sim.
Moro em Belo Horizonte mas sou do interior de Minas. Passei os feriados de fim de ano na minha terra natal,Diamantina,e pude constatar o tanto de gente que envenenada pelos emails apócrifos e os panfletos distribuidos por religiosos de vários matizes, deixou de votar na Dilma.
Eduardo
Espero que o Ministro da Justiça tenha interesse em analisar toda essa questão das campanhas difamatórias permanentes contra os políticos que defendem os interesses populares.
E que o MPF não se negue a investigar o que houve de criminoso durante a última campanha eleitoral.
É correta a afirmação da Maria Lucia de que as nossas campanhas eleitorais estão virando uma cópia das campanhas estadunidenses.
Que os recentes fatos do Arizona signifiquem um alerta para o nosso Judiciário.
Pode-se pensar em um Projeto de Iniciativa Popular Mídia Limpa,para regulamentar os aspectos abordados nesse oportuníssimo post. Não podemos deixar que toda essa barbárie fique impune e vire o feijão com o arroz da política nacional.
Mauro Loureiro
Maria Lucia
Faz tempo que acompanho a lucidez de seus comentários em alguns blogs. V. está cobertíssima de razão, é um absurdo querer criticar a Dilma em apenas dias de governo. É desejar que continue a campanha de 2010. Na linha de seu pensamento leia o post http://pedroayres.blogspot.com/2011/01/tres-cenarios-para-um-so-ato-o.html. É uma mordaz crítica a esses "telctuais"como v. costuma dizer.
José Maria
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