quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mubarak cospe na cara dos egípcios

Frustrando expectativas de opositores, o presidente ditador do Egito, Hosni Mubarak, não renunciou ao cargo nesta quinta-feira e apenas reiterou seu "compromisso" de entregar o poder ao vencedor das eleições de setembro no país, à qual prometeu novamente não concorrer.

Por outro lado, o líder ditador egípcio disse que transferirá parte de seus poderes a seu vice torturador-chefe, Omar Suleiman, mas não especificou quais poderes exatamente.

"Como presidente ditador, tenho que responder a seus chamados, mas não aceitarei ou ouvirei intervenções do exterior", disse Mubarak em um aguardado pronunciamento na TV estatal egípcia, em resposta às pressões externas por sua saída do poder.

Mubarak se disse "orgulhoso" dos egípcios e "comprometido em cumprir minha responsabilidade de entregar (o poder) a quem for eleito em eleições livres (??) (previstas para setembro)".

Há dez dias, Mubarak - que governa o Egito há quase três décadas - havia anunciado que não concorreria à reeleição, em setembro, uma concessão que foi considerada insuficiente pela maioria dos opositores ao seu governo.

Possibilidade de golpe

Rumores de renúncia se somaram a boatos sobre um possível golpe de Estado, a ser perpetrado pelo Exército - maior força política do Egito e que vem se mantendo neutro ao longo dos 17 dias consecutivos de protestos antigoverno.

Há entre a população a percepção de que a possibilidade de golpe existe.

Em comunicado televisionado na tarde de quinta-feira, as Forças Armadas comunicaram que estão prontas para "responder às demandas legítimas do povo".

Milhares de pessoas vêm participando de protestos diários contra Mubarak desde o dia 25 de janeiro. Muitos manifestantes acampam à noite na Praça Tahrir da Libertação.

BBC Brasil

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