quarta-feira, 16 de março de 2011

Ah, se fosse no Brasil...

Essa expressão está sendo usada maciçamente (massivamente é a mãe) nos últimos dias, numa expressão de profunda vira-latice. Não foi e nunca será no Brasil, vira-latas. Cada país tem seus problemas e soluções;  terremotos e tsunamis não fazem parte dos nossos problemas, excetuando uma possível queda de meteoro de grande porte próxima ao nosso litoral.

O pensamento vira-lata é, basicamente, a redução das características dos outros países às suas qualidades e a ampliação de nossos defeitos até que ocupem todo o horizonte observável. Frio, terremotos, tsunamis e custo de vida altíssimo fazem parte do pacote japonês, se te parecerem suportáveis, boa sorte lá, amigão.

É impressionante como o vira-lata consegue não ver o clima, o custo de vida, o racismo, os costumes intoleráveis e inúmeras outras "qualidades" do que eles chamam de "primeiro mundo". Parece que ao mudar para, digamos, Nova Iorque só o que você terá é o acesso à riqueza americana. O inverno com 30º abaixo de zero, o preconceito contra o cucaracha, a comida horrorosa, a possibilidade de uma visita involuntária a Guantánamo não entram no "horizonte de eventos" da criatura.

O Canadá, para dar um exemplo positivo, é um país maravilhoso. Rico, belo e imenso. Nesse exato momento a temperatura na belíssima Montreal é de 2º. Dá para aguentar, não dá? Naquele lugar lindo, onde tudo é aquecido, 2º não parece tão ruim assim, mas analise isso antes de fazer as malas: em dezembro a temperatura oscila entre -12º e -3º, em janeiro piora um pouco para entre -16º e -6º, em fevereiro entre -14º e -4º e finalmente em março chegamos a um calorzinho de -7º a +2º. Quatro meses abaixo de zero! Que beleza para esquiar, não é? Já para trabalhar, estudar e outras coisas menos importantes não é assim tão bom, acredite-me. Diminua o tamanho e acrescente alguns nazistas planejando te matar no meio da rua à pauladas (imigrante e raça inferior) e você está na Alemanha!
Clima agradável em Montreal

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4 comentários:

Thiago Quintella de Mattos disse...

"É impressionante como o vira-lata consegue não ver o clima, o custo de vida, o racismo, os costumes intoleráveis e inúmeras outras "qualidades" do que eles chamam de "primeiro mundo". "

Perfeito artigo! Vou divulgá-lo. EU sou tachado de invenjoso quando falo para os que emigram que a banda lá não toca como pensa que você toca. Falo seriamente que ele está sendo vítima de uma ilusão e que não somos bem aceitos no exterior como imigrantes senão quando nos candidatamos a escravos. " Ah, mas aqui está horrível, o Brasil não presta!" "Lá você é babysitter ou grudador de lajotas nos assoalhos (ou seja, tem que trabalhar para burro) e consegue comprar um carro." Cada um com o seu valor. É certo que as profissões aqui, num Estado ainda com ranços fortes do Escravismo, as profissões não são valorizadas, como a dos pesquisadores e dos professores, mas é aqui que podemos lutar para mudar isso. Por mais precário e novo que seja o nosso Estado (ainda mais agora, com a grande mudança que abalou todas as estruturas de nossos 200 anos antes) ele é nosso, há de ser. Querem ir para lá, para não trabalharem aqui. E por aí vai! Adoro todos os países, povos, e todas as diferenças e semelhanças; jamais, porém, continuar no desprezo. A cada "Só no Brasil" há um " Mas lá também"

Davi Lemos disse...

De um comentarista no blog do Nassif: o indivíduo com complexo de vira-latas é uma antítese ambulante se acreditar que é inteligente, e uma prova da invalidade de sua tese, se admitir que é burro.

Klaus disse...

Generalizar não é bom! Falar assim da Alemanha é porque não conhece ou porque infelizmente viveu um momento isolado. Ande em Berlim e sentirá uma cidade miscigenada ao extremo. Obviamente que nem tudo são flores, mas daí a generalizar acho exagero. Ser "emos" ou apenas "diferente" e andar na Paulista é menos perigoso?

Dogwalker disse...

Eu posso andar em Berlim à vontade, sou transparente de tão branco. Também não generalizei nada, poderia citar a Rússia ou a Hungria. Os magiares estão com um pé e meio no fascismo. E o mundo vai acabar de eu falar bem de São Paulo.

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