Serra “buscaria uma política externa mais afinada com os EUA”
Em 18 de dezembro de 2009 o então governador de São Paulo José Serra encontrou-se durante 90 minutos no palácio do governo com o subsecretário para assuntos do hemisfério ocidental do governo americano, Arturo Valenzuela. Serra já era já cotado para ser candidato tucano à presidência em 2010, mas ainda não havia formalizado a candidatura.
Valenzuela saiu do encontro privado com a impressão de que Serra seria um presidente mais afeito aos EUA. “Serra alertou que a corrupção e a radicalização estavam crescendo no partido governante, o PT, e sugeriu que como presidente iria pressionar por uma política externa mais alinhada com os Estados Unidos”, diz o telegrama enviado pelo consulado em São Paulo.
O político tucano criticou a política externa de Lula e propôs-se estar numa posição mais internacionalista caso fosse eleito, criticou a tarifa americana sobre o álcool brasileiro julgando-a “economicamente ilógica” e destacou seu engajamento com o então governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, nas questões climáticas como uma das oportunidades de cooperação.
"Internacionalista" significa "americanista" no contexto. Qual o "engajamento" de Serra com Arnold Schwarzenegger, mesmo que isso tivesse alguma importância? Cinco minutos de conversa informal numa conferência.
Serra criticou a participação de Lula na crise em Honduras, responsabilizando o governo brasileiro e o presidente hondurenho deposto Manuel Zelaya de impedirem a resolução do problema.
O presidente constitucional derrubado por bandidos armados e o Brasil que não apoiou os bandidos impediram a "resolução" do problema. Desnecessário dizer que Serra defende o reconhecimento de um governo de ladrões e assassinos como "resolução" do "problema".
Sutilmente, Serra deu a entender que os EUA faziam mal ao elogiar Lula. “Ele também avisou que as referências do governo americano a uma ‘relação especial’ com o presidente Lula não agradam a todos os segmentos do Brasil e que poderiam ser manipuladas pelo PT”, diz o telegrama.
O vampiro confundiu o subsecretário americano com seus cupinchas da Folha, Estadão e similares.
Desinformado
Depreende-se do documento, no entanto, que Valenzuela achou que Serra estava focado demais na política interna brasileira sem prestar a devida atenção aos vizinhos na América do Sul.
A conversa aconteceu pouco menos de um mês depois do chileno assumir a subsecretaria de Assuntos do Hemisfério Ocidental, cargo anteriormente ocupado por Thomas Shannon e que coordena as relações dos EUA com América Latina, Caribe e Canadá. “A presidente Kirchner é esperta e cordial. Se o populismo na Argentina preocupa aos EUA, então Dilma causará preocupação maior”, comparou o candidato tucano à presidência.
Valenzuela visitou países do Cone Sul e na volta aproveitou para fazer uma escala em São Paulo onde realizou uma série de encontros extra-oficiais. “Serra pareceu completamente desinformado de acontecimentos recentes no Cone Sul, incluindo a situação política do presidente paraguaio Lugo”, comentou o telegrama fazendo menção à série de reconhecimentos de paternidade atribuídas ao ex-bispo.
Que beleza! O candidato a presidente do maior e mais importante país da América do Sul desconhece o que acontece nos países vizinhos. Provavelmente porque só lê, se é que lê, a mídia paulista.
Tentem imaginar essa desgraça ocupando a Presidência do Brasil. Pensando bem não tentem, não. Vejam o resultado da "administração" Serra em São Paulo.


4 comentários:
Formação de quadrilha: alckimin odiava serra, que odiava aécio, que odiava a folha, que odiava o estado de minas, que odiava o estado de são paulo, que amava fhc, que amava os EUA, que amava bill clinton, que odiava fhc. Serra perdeu as eleições. Alckimin se livrou de Serra. Aécio, quietim, morria de rir. O Brasil, que não havia entrado na história, não se casou com nehum deles, e foi feliz para sempre.
Olá Saraiva.
Renovando a proposta:
Ele já faz parte da nossa fonte de matérias e comentários para com a nossa rádio.
Por isso, estou te propondo uma parceria: uma troca de links de nossos blogs.
Será um prazer estar na sua lista de blogs, o que farei o mesmo com o seu link na minha lista.
Vamos fechar esta parceria?
Meu Blog:
Raymundo José - Sinal Verde pra você
http://www.raymundjose.blogspot.com
meu e-mail:
silvar7770@globo.com
MSN: raymundojose10@hotmail.com
Nossa Rádio
Sinal Verde FM
www.fmsinalverde.com.br
Veja lá que já sou seu seguidor, agora conto com a sua participação e efetivação nesta parceria, seguindo o meu blog.
Estou aguardando contato com posicionamento ref. esta proposta
abraço
Raymundo José
I'm not Saraiva, no.
WikiLeaks e os mitos da democracia
(publicado na revista Caros Amigos)
A notoriedade conquistada pelo WikiLeaks teve inúmeros efeitos positivos, louvados à exaustão. Também conhecemos os questionamentos de seus adversários, alguns bem espinhosos e insolúveis, como os que debatem a necessidade de proteger dados governamentais estratégicos. Passado o furor das polêmicas iniciais, porém, é necessário apontar alguns equívocos menos evidentes de ambas as facções.
As informações divulgadas trouxeram pouca novidade àquilo que o leitor atento de jornais já sabia há décadas. Mesmo a infame perseguição a Julian Assange é típica do regime político em vigor nos EUA, que sempre combateu antagonistas com os instrumentos usados pelas chamadas ditaduras contra seus dissidentes. Assange, indefeso como qualquer cidadão comum, jamais escaparia das armadilhas jurídicas, econômicas e jornalísticas que esmagam quem ousa confrontar o “sistema”.
Apesar do discurso iconoclasta, ele precisou recorrer à mídia corporativa para legitimar-se e salvar a própria pele. Governos e empresas atingidos superaram o breve embaraço e voltaram às atividades obscuras de praxe. Assange serviu para elevar a audiência e aprimorar a blindagem de seus inimigos, e depois foi descartado. Pagou um preço demasiado apenas para confirmar que não existe liberdade de imprensa ou direito à informação no mundo real do poder, que esses princípios ocos alimentam fantasias convenientes à natureza totalitária da farsa democrática.
A ilusória força mobilizadora da internet ameniza nossa amedrontada submissão às engrenagens que não podemos (e talvez não queiramos) destruir. É enganosamente confortável denunciar injustiças e violências no ambiente inofensivo da virtualidade. O ativismo eletrônico, ainda que necessário, não basta para operar mudanças efetivas no cotidiano das populações. E pode também levar a inúteis sacrifícios pessoais.
www.guilhermescalzilli.blogspot.com
Postar um comentário