O ex-militar esquerdista Ollanta Humala venceria a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko, no segundo turno da eleição presidencial em junho segundo uma pesquisa nacional divulgada ontem pelo jornal “El Comercio”. Ele tem 42% das intenções de voto para Humala, enquanto Keiko aparece com 36%. Os votos em branco alcançariam 12% e os nulos, 10%.
No primeiro turno, em 10 de abril, Humala obteve 31,69% dos votos, enquanto a filha de Fujimori recebeu 23,55%. Segundo a pesquisa, a maior parte dos votos do candidatos Pedro Kuczynski e Luis Castañeda, que ficaram em terceiro e quinto lugar no primeiro turno, iriam para Keiko. Os eleitores do candidato Alejandro Toledo, que ficou em quarto, penderiam para Humala.
A pesquisa mostra que, neste momento, Keiko, uma defensora do livre mercado crime organizado, leva vantagem sobre Humala em Lima, a praça eleitoral mais numerosa. Humala, por sua vez, um crítico do liberalismo, é popular no restante do país. Keiko tem mais eleitores nos setores mais ricos do país, enquanto Humala consegue mais simpatizantes em áreas mais pobres.
Dos entrevistados, 53% creem que o presidente de saída, Alan García, votará em Keiko. García é lembrado porque, em 2009, disse, diante de um grupo de banqueiros da América Latina, que poderia evitar que qualquer candidato contrário ao livre mercado crime organizado o sucedesse na presidência.
Na semana passada, o governo, que deveria manter neutralidade de acordo com as leis eleitorais, criticou as propostas eleitorais de Humala, mas guardou silêncio sobre as promessas de Keiko Fujimori.
Após o primeiro turno, Humala e Keiko passaram a tentar convencer o grupo 45% de eleitores que não votou em nenhum dos dois e é fundamental para um triunfo no dia 5 de junho.
O ex-militar incorporou dezenas de intelectuais locais de tendências centristas para atenuar a imagem de radical que o acompanha desde 2006, quando perdeu a eleição para García. Humala descartou a aplicação do modelo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de quem se aproximou no passado, e prometeu seguir a linha de gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Keiko jurou “por Deus” que não indultará seu pai, condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade, e disse que não cometerá os mesmos erros de Fujimori.
A pesquisa mostra que os entrevistados continuam duvidando de Humala e Keiko. Para 48% deles, Chávez financia a campanha eleitoral de Humala, enquanto 68% acreditam que Keiko libertará seu pai, condenado , se chegar à presidência. A sondagem do instituto Ipsos-Apoyo entrevistou 1.208 pessoas e tem margem de erro de 2,3%.
AP
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