'Há uma diferença entre o Hitler e o Stalin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stalin lia os livros antes de fuzilá-los', disse
Rafael Moraes Moura - Agência Estado
Os críticos do livro Por uma vida melhor, que defende que a fala popular - inclusive com seus erros gramaticais - é válida na tentativa de estabelecer comunicação, adotam uma postura fascista, disse na manhã desta terça-feira, 31, o ministro da Educação, Fernando Haddad.
"Há uma diferença entre o Hitler e o Stalin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stalin lia os livros antes de fuzilá-los. Ele lia os livros, essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler", afirmou Haddad, durante audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.
Uma comissão formada por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovou o livro Por uma Vida Melhor, da Coleção Viver e Aprender. O livro, que chegou a cerca de 484 mil alunos de todo o País, defende que a forma de falar não precisa necessariamente seguir a norma culta. "Você pode estar se perguntando: ''Mas eu posso falar os livro?'' Claro que pode", diz um trecho.
O livro lembra que, caso deixem de usar a norma culta, os alunos podem sofrer "preconceito linguístico". "Fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas".
Haddad afirmou que diversas entidades da área educacional defenderam a obra que, segundo ele, considera a realidade dos alunos adultos que estão retornando à escola para aprender a norma culta. Para ele, os que criticaram o livro não leram todo o conteúdo do capítulo e apenas analisaram frases fora do contexto.
"Sou filho de imigrantes libaneses que nunca pisaram na escola e eu entendo perfeitamente a abordagem pedagógica da autora. Quando o adulto volta para a escola ele traz vícios naturais [da fala popular] e o livro o convida a traduzir essa linguagem para a norma culta, esse é o papel do educador. A partir do contexto, da situação de fala, [cabe a ele] orientar o aluno a compreender a norma culta", disse. Sobre os livros de história, Haddad disse que não irá emitir opinião porque não analisou todo o conteúdo da obra.
O ministro explicou como é feito o processo de seleção dos livros, que são avaliados por universidades federais, e afirmou que esses critérios podem ser aperfeiçoados caso seja essa a avaliação do Congresso Nacional.

5 comentários:
Enfim, um pronunciamento em defesa do livro com o que é necessário dizer sobre os "críticos". Se fosse eu, não serie tão "polido" quanto o ministro mas ele está certo.
Simplesmente ridícula essa revolta de alguns puristas por causa desse livro. 1º: a publicação não ensina a escrever errado, ela apenas fala que não existe linguagem certa ou errada (coisa certíssima, Nietzsche que o diga!) e, sim, linguagem adequada e inadequada. 2º: perceber falas diferentes não prejudica em nada a formação da educação. Ou seria necessário que o Chico Bento fosse proibido porque ele fala "paster"?
Seo Esquerdopata.
Dê uma olhadinha na presepada de um Dep.evangélico e paranaense sobre o tema:
http://www.skora.com.br/?p=963 &
http://www.skora.com.br/?p=973
Esse livro não foi avaliado por uma Comissão da UFRN. A UFRN avaliou os livros de História, não de portugês.
Eu só achei um com o Álvaro Dias possesso depois de ser chamado de fascista na cara limpa no Youtube. Será que não há algum vídeo dele falando do stalinismo?
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