Combustíveis, vilões dos preços em abril, ajudaram a aliviar preços no mês passado
O custo de vida praticamente zerou na cidade de São Paulo em maio. Isso significa que, entre abril e o mês passado, os preços de bens e serviços analisados na metrópole paulista quase não mudaram. O ICV (Índice de Custo de Vida), medido pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), ficou em 0,04% no quinto mês do ano.
Em abril, os preços haviam subido 0,80%, graças aos fortes aumentos dos combustíveis como o álcool e a gasolina. No mês passado, foram eles que ajudaram a diminuir o custo de vida. Os preços dos produtos e dos serviços de transportes recuaram 1,33%.
O etanol, que foi o vilão da inflação no começo do ano, agora ficou 14,14% mais barato. Em uma conta simples, equivale a dizer que o motorista que abastecia o carro pagando R$ 2 pelo litro do etanol, dessa vez pagaria R$ 1,71 pelo combustível.
Além dos transportes, os equipamentos domésticos diminuíram 0,21%. Os dois grupos de gastos ajudaram a minimizar os aumentos de preços vistos na saúde (0,66%), na alimentação (0,29%) e na habitação (0,23%).
A saúde registrou aumentos na assistência médica, devido, basicamente, aos reajustes dos seguros e dos convênios médicos. Os medicamentos e produtos farmacêuticos mudaram pouco de preço.
No caso da comida, os alimentos ficaram mais caros nos produtos industrializados e na refeição fora de casa. Destacam-se o leite longa vida, o açúcar e o pão entre as maiores altas do mês. Os produtos in natura (itens como legumes, frutas e hortaliças vendidos sem processamento) ficaram mais baratos.
Na habitação, as taxas de locação, impostos e condomínio, de operação e de conservação do domicílio ficaram maiores em maio.
Os equipamentos domésticos aliviaram o bolso com queda de preços de eletrodomésticos e de móveis.
A pesquisa separa os gastos das famílias a partir do rendimento. Os gastos cm alimentação e com saúde têm maiores efeitos sobre quem ganha menos. Por outro lado, as famílias que ganham mais sentiram mais fortemente os reajustes dos transportes.
O combustível mais barato, por exemplo, fez com que o grupo que ganha até R$ 2.792,90 (o que é chamado de classe 3) praticamente não visse o aumento do ICV (variação de 0,01%). Esse grupo é o que depende mais do transporte individual – o carro ou motocicleta, por exemplo – para se locomover.
Quem ganhava em torno de R$ 377,49 (o grupo chamado de classe 1) foi o que mais sentiu o avanço do ICV (0,18%), por causa dos reajustes na saúde e dos alimentos mais caros.
Quem ganhava até R$ 934,17 por mês (a classe 2) foi afetado pelos aumentos da comida e da moradia, mas teve a inflação minimizada pela queda de preços dos combustíveis.
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