Rodrigo Vianna
Na abertura da Assembléia Geral da ONU, ao falar para o mundo, Dilma destacou a condição feminina e a especificidade do Brasil no mundo. Emocionou-me a menção que a presidenta fez à lingua portuguesa. Lembrei-me de certo presidente (brasileiro, até prova em contrário) que foi à França e preferiu falar em Francês (!) na Assembléia Nacional daquele país. Era o presidente que certa elite brasileira considerava ”cosmopolita”. Um cosmopolita que preferia falar em francês. Terminou o discurso dizendo “Vive la France!!”. Patético.
Dilma não só falou em Português, como falou sobre as especificidades do mundo que fala Português. Usou o idioma como gancho para lembrar de palavras que são “femininas” na Língua Portuguesa: alma, esperança, vida.
Mas o discurso na Assembléia Geral da ONU não foi importante (só) por isso. Foi importante porque Dilma se diferenciou da baboseira (neo) liberal que ainda sobrevive no chamado mundo desenvolvido (e sobrevive também entre “colunistas” e “analistas” que pensam o Brasil feito girafas: têm os pés na América do Sul e a cabeça em Londres ou Washington). Dilma falou na necessida de controlar capitais. Os colunistas de economia brazucas devem ter sofrido uma síncope nervosa. Controle? Capitais devem ser livres. Controle, só para as pessoas.
Dilma foi corajosa ao falar da crise econômica, ponderada ao defender o Estado Palestino e firme ao reafirmar a necessidade de reformar a ONU e as instâncias decisórias mundiais.
Dilma foi a primeira mulher a abrir a Assembléia Geral da ONU. Mas o discurso dela foi histórico por muitos outros motivos. Lembrou-me a frase lapidar de Chico Buarque, ao dizer, na reta final da eleição de 2010, porque apoiaria Dilma: “é um governo que fala de igual para igual, não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

1 comentários:
Ouvi cada palavra do discurso de Dilma, e senti orgulho, muito orgulho de ser brasileira, mulher e progressista. Ela contemplou na sua fala tudo o que acredito e luto para realizar (uma luta coletiva que vem desde a fundação do Partido dos Trabalhadores). Foi um discurso respeitoso, porém, colocando os pingos nos is. Assento Permanente no Conselho de segurança da Onu, Reconhecimento do estado Palestino, crise econômica mundial (colocando o dedo na ferida dos que a geraram),fim da pobreza e da injusta distribuição de renda no mundo, fim das ocupações de países em nome do combate ao "terrorismo", papel do Brasil como importante parceiro na intermediação das crises, tanto financeira quanto de conflitos entre países (mostrando o Brasil como modelo de país que não fomenta a guerra), combate ao preconceito ( menção à xenofobia e preconceito de raças), e, principalmente o papel protagonista que as mulheres estão exercendo no mundo. Aplaudi de pé.
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