quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sky combate programação nacional

Contra o obscurantismo da Sky, em defesa da diversidade de conteúdo nacional

A Sky iniciou uma forte campanha em que mobiliza seus usuários contra a lei 12.485, sancionada em setembro de 2011 e que deve ser regulamentada até este mês de março. A empresa combina argumentos mentirosos com falácias numa defesa oportunista da liberdade de escolha do usuário. Na campanha, a empresa reúne atletas dos clubes de vôlei e basquete que ela patrocina para apontar uma série de supostas ameaças trazidas pela lei e conclamar o usuário a se manifestar no STF e diretamente na Ancine. A empresa usa a boa fé do usuário da TV por assinatura e de atletas de renome do esporte nacional para defender disfarçadamente seus próprios interesses comerciais. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação rechaça essa estratégia desonesta e chama atenção dos usuários da Sky para que não sejam ludibriados pela propaganda enganosa da empresa.

Surpreendentemente, nenhuma das sete afirmações principais feitas pela empresa na propaganda exibida se sustenta. Frente ao grande número de acusações infundadas, é fundamental enfrentar cada um dos argumentos.

Você é a favor da liberdade na TV por assinatura? - A frase que abre a campanha da Sky sugere duas coisas: primeiro, que há hoje liberdade na TV por assinatura. Segundo, que essa liberdade está ameaçada. As duas premissas são falsas. Hoje, o usuário não tem liberdade de contratar os canais aleatórios de forma avulsa, nem construir seus próprios pacotes e nem comprar canais que a operadora não quiser lhe oferecer. Exemplo recente e oportuno é a dificuldade do usuário em ter acesso à Fox Sports, que transmite a Libertadores da América, porque as operadoras (como a Sky) não querem oferecê-lo. Além disso, a lei não fere em nada a liberdade do usuário. Ao contrário, ela busca ampliar a oferta, com a entrada de novos canais e de mais concorrentes entre as operadoras, e assim gerar mais diversidade e opções.

Uma lei poderá mudar toda sua programação de TV por assinatura – a lei 12.485 altera pouco da programação para o usuário comum. Por meio de cotas de conteúdo brasileiro e independente, que somam 3h30 por semana (!) e no máximo doze entre as dezenas de canais disponíveis, ela busca ampliar a oferta de conteúdo brasileiro e dar espaço para as produtoras independentes que hoje não têm espaço e liberdade de veiculação de sua produção. A cota incide apenas nos canais que transmitem majoritariamente, em seu horário nobre, filmes, séries, documentários, animações e reality shows.

A lei não considera esporte e jornalismo como conteúdo nacional – Não é verdade. A lei considera sim esses conteúdos como nacionais, mas não impõe cotas de veiculação de esportes. Os canais de esportes não entram na conta das cotas, não tem obrigações de cotas e continuam sendo ofertados normalmente sem qualquer alteração.

Haverá menos esporte na programação – não faz nenhum sentido afirmar que haverá menos esporte na programação. Os canais esportivos não são impactados em nada pela lei. Se a empresa quiser ofertar um pacote só de canais esportivos pode fazer isso à vontade, e não tem de abrir nenhum minuto de cotas de conteúdo brasileiro e independente. A lei não interfere em nada na quantidade de conteúdo esportivo na programação.

Esta é uma grave intervenção nos meios de comunicação – as regras estabelecidas na nova lei estão longe de ser uma grave intervenção. Na verdade, regras como essas existem em todas as democracias avançadas no mundo. Todos esses países constroem instrumentos de regulação para garantir mais pluralismo e diversidade de conteúdo, e para fazer com que a liberdade de expressão seja ampla, e não valha apenas para os donos de meios de comunicação.

Agência reguladora terá poderes para controlar o conteúdo da TV paga – a Ancine não terá poder para controlar o conteúdo, apenas irá zelar pelo cumprimento das regras definidas democraticamente pela lei. Problema seria se houvesse uma lei sem nenhum órgão responsável pela sua fiscalização.

A lei vai gerar impacto no preço da assinatura e na liberdade de escolha – como já foi dito, a liberdade de escolha do usuário, hoje pequena, só aumenta, não diminui. Em relação ao preço da assinatura, a tendência é justamente a contrária. A lei amplia a concorrência e deve fazer com que, em médio prazo, o usuário pague menos pelos pacotes.

É preciso ficar claro que a campanha da Sky não defende o interesse do usuário nem do esporte nacional. O problema para a empresa é que, ao permitir a entrada das empresas de telecomunicações no mercado de TV a cabo, a lei cria concorrência em vários locais em que a Sky é hoje a única opção do usuário. O que está em jogo, portanto, são os interesses comerciais da empresa.

A lei já foi aprovada e sancionada em setembro, e a Sky está apoiando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que tenta derrubá-la no Supremo Tribunal Federal. O momento atual é de definição da regulamentação da lei, e o mais importante é justamente garantir que os objetivos de ampliação da diversidade e da pluralidade sejam materializados. Para isso, qualquer iniciativa de debate democrático é bem-vinda. Só não valem propagandas obscurantistas e falaciosas como essa da Sky.

FNDC
(Coordenação Executiva: CUT – Central Única dos Trabalhadores, Abraço – Ass. Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Aneate – Ass. Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões, Arpub – Ass. das Rádios Públicas do Brasil, , Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, CFP – Conselho Federal de Psicologia, Fitert  - Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão, Fittel – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social)

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Civilidade no trânsito

 Não consegui entender a assinatura do autor


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Vocalista da banda The Monkees, Davy Jones, morre aos 66 anos

O cantor Davy Jones, vocalista do grupo The Monkees, morreu na manhã desta quarta-feira, 29, vítima de um ataque cardíaco, segundo o site "TMZ".

A informação foi confirmada ao site por um funcionário do IML de Martin County, na Flórida (EUA), que recebeu um telefonema do hospital Martin Memorial afirmando que Jones havia morrido.

Jones entrou para o grupo The Monkees em 1965 ao lado de Micky Dolenz, Michael Nesmith e Peter Tork.

O grupo incluiu três músicas no topo das paradas americanas: "Daydream Believer," "Last Train to Clarksville" e "I'm a Believer". A última performance do grupo foi no dia 19 de fevereiro, em Oklahoma.



The Monkees: Last Train To Clarksville, 1967

Take the last train to Clarksville,
And I'll meet you at the station.
You can be be there by four thirty,
'Cause I made your reservation.
Don't be slow, oh, no, no, no!
Oh, no, no, no!

'Cause I'm leavin' in the morning
And I must see you again
We'll have one more night together
'Til the morning brings my train.
And I must go, oh, no, no, no!
Oh, no, no, no!
And I don't know if I'm ever coming home.

Take the last train to Clarksville.
I'll be waiting at the station.
We'll have time for coffee flavored kisses
And a bit of conversation.
Oh... Oh, no, no, no!
Oh, no, no, no!

Take the last train to Clarksville,
Now I must hang up the phone.
I can't hear you in this noisy
Railroad station all alone.
I'm feelin' low. Oh, no, no, no!
Oh, no, no, no!
And I don't know if I'm ever coming home.

Take the last train to Clarksville,
Take the last train to Clarksville,
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Extrema pobreza registrou queda recorde na América Latina

DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

O número de pobres que vivem com menos de US$ 1,25 por dia caiu a níveis recorde na América Latina no triênio 2005-2008, a 6,5% da população, a mesma tendência apresentada em todos os países em desenvolvimento, informou nesta quarta-feira o Banco Mundial.

Em 2008, um total de 1,29 bilhão de pessoas, o equivalente a 22% da população dos países em desenvolvimento, vivia em extrema pobreza, ou seja, com menos de US$ 1,25 por dia, a cota internacional fixada pelo Banco Mundial.

Isso representa uma queda pela metade em relação a 1990, quando o BM começou a avaliar de forma sistemática e integral a pobreza no mundo.

Também significa que o primeiro objetivo de desenvolvimento do Milênio, que era reduzir a extrema pobreza à metade em relação a 1990, foi cumprido antes da data limite de 2015, segundo as estatísticas do Banco.

Um total de 1,94 bilhão de pessoas vivia em extrema pobreza em 1981, o que acentua o êxito desta redução da pobreza, levando-se em conta o aumento geral da população mundial.

"Esta redução geral ao longo de um ciclo trienal de seguimento se dá pela primeira vez desde que o Banco começou a contabilização da extrema pobreza", explicou o texto.

AL E CARIBE

Na América Latina e no Caribe, "a partir de um máximo de 14% de pessoas que viviam com menos de US$ 1,25 por dia em 1984, a taxa de pobreza alcançou seu nível mais baixo até então [6,5%] em 2008", explicou o texto.

A porcentagem de pobres que vivem com menos de dois dólares por dia na região era de 12% em 2008, explicou em uma coletiva de imprensa por telefone Martin Ravallion, diretor do Grupo de Pesquisas do Banco.

Na América Latina, o número de pobres aumentou até 2002, mas veio diminuindo de forma pronunciada desde então.

BRASIL

O Brasil costumava competir com a África do Sul como o país com mais desigualdades sociais no mundo, mas as políticas sociais e o crescimento econômico também estão fechando esta lacuna no país sul-americano, assim como no resto da região, explicou Ravallion.

Embora o estudo tenha terminado em 2008, a crise econômica mundial que explodiu neste ano não teve a repercussão que se temia, disse o Banco.

"Análises mais recentes (...) revelam que, embora as crises dos alimentos e dos combustíveis, além da crise financeira ocorrida nos últimos quatros tenham provocado em alguns casos fortes impactos negativos (...), a pobreza mundial, em conjunto, seguiu caindo", explicou o texto.

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O segredo do sucesso



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O mundo não é mais como era

Autor desconhecido


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As viúvas da ditadura e a esclerose múltipla

Ninguém nunca proibiu essas viúvas da ditadura de se expressar, muito menos o ministro Celso Amorim. Esses senhores envergonham o Brasil, as forças armadas e as políticas públicas de combate à esclerose múltipla. Esses clubes militares viraram antros de rancor ideológico e devem, a bem da saúde mental de seus sócios, ser solenemente ignorados.

Leandro Fortes
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Serra vai ao encontro do povo humilde



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Inquisição conquista Ilhéus e promete queimar todas bruxas


O vereador evangélico Alzimário Belmonte (PP-BA), autor da lei aprovada na Câmara local, afirma que a intenção é despertar nos jovens a importância de valores. "É uma lei extremamente livre. Eu não coloquei na lei nenhum artigo que tem que ser todos os dias, não coloquei também nenhuma penalidade, nenhuma sanção para quem não queira orar", argumenta.

A lei foi sancionada em dezembro do ano passado pelo prefeito Newton Lima (PT-BA).

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Deixem nossos torturadores em paz!

Maurício Lopes Lima
Cabeça de fora


Parece que o Brasil gosta de tentar repetir a história, o que, contrariando um pensador famoso, não acaba em farsa, mas em tragédia. Alguns militares resolveram botar a cabeça de fora fazendo pensar em procedimentos dos anos 1950 e 1960. O almirante Ricardo Antonio da Veiga Cabral, presidente do Clube Naval, o general Renato Cesar Tibau da Costa, presidente do Clube Militar, e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, presidente do Clube de Aeronáutica, publicaram nota (manifesto?) de advertência contra as posições das ministras Maria do Rosário e Eleonora Menicucci em relação à possibilidade de ações na Justiça em busca de punição a torturadores do regime militar imposto em 1964.

Os militares queixam-se de que a presidente prometeu governar para todos, sem "discriminação, privilégios ou compadrio", mas nada estaria fazendo para calar a boca das auxiliares. Diz o manifesto: "Na quarta-feira, 8 de fevereiro, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos concedeu uma entrevista à repórter Júnia Gama, publicada no dia imediato no jornal Correio Braziliense, na qual mais uma vez asseverava a possibilidade de as partes que se considerassem ofendidas por fatos ocorridos nos governos militares pudessem ingressar com ações na Justiça, buscando a responsabilização criminal de agentes repressores, à semelhança ao que ocorre em países vizinhos. Mais uma vez esta autoridade da República sobrepunha sua opinião à recente decisão do STF, instado a opinar sobre a validade da Lei da Anistia. E, a presidente não veio a público para contradizer a subordinada". Uma coisa é certa: o pau vai comer já, já.

O Brasil é um país diferente, superior aos outros, o único que não pune seus torturadores. Não nos rebaixamos ao nível da Argentina e do Uruguai. Não aceitamos pressões de organismos internacionais rastaqueras como a ONU. Nossos torturadores são intocáveis. Essa é a nossa discriminação, esses são os privilégios que damos, esse é o compadrismo que praticamos. O fato de que os guerrilheiros foram punidos com prisão, tortura, exílio ou morte, enquanto os torturadores nada pagaram, não nos constrange. Nossos militares são atuantes e politizados: "Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de auxiliares da presidente sem que ela, como a mandatária maior da Nação, venha a público expressar desacordo com a posição assumida por eles e pelo partido ao qual é filiada e aguardam com expectativa positiva a postura de presidente de todos os brasileiros e não de minorias sectárias ou de partidos políticos".

Nosso único dogma é: deixem nossos torturadores em paz. Eles prestaram relevantes serviços à Nação ajudando a salvar-nos de uma ditadura de esquerda com uma ditadura de direita, praticante, em nome da democracia e da civilização, de métodos bárbaros e rigorosamente antidemocráticos jamais discutidos diante de um tribunal de Justiça. Nossa ditadura foi implantada contra um presidente legal cujo grande pecado foi ter tentado reformar um país atolado no atraso, sendo que, em algumas regiões, a expectativa média de vida andava pelos 35 anos de idade e 77.737 latifundiários detinham 58% das terras de todo o país. Um espetáculo de desigualdade e barbárie.
Carlos Alberto Brilhante Ustra


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Serra não é o dono da bola



Ao contrário do que diz o senso comum, de que não existe páreo para José Serra nas eleições de outubro, o fato é que a candidatura do tucano está longe de ser um passeio. A aliança com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), serve para não rachar o eleitorado conservador - e era isso que o PT queria quando negociava com o prefeito a adesão à candidatura de Fernando Haddad. O PSD, todavia, não agrega voto não conservador. PSDB e PSD bebem do mesmo copo. A opção de Kassab não divide, mas também não acrescenta.

Era tentadora para o PT a adesão de Kassab à candidatura petista de Fernando Haddad. Pelos cálculos do partido, ela poderia balançar a hegemonia tucana na capital, mantida pela alimentação do conservadorismo de uma classe média facilmente influenciável por um discurso de caráter udenista - que colou no PT a imagem da desonestidade, pelo menos em redutos conservadores -, e que tem uma certa aversão a mudanças. Rachar o eleitorado conservador e agregar a ele o voto não conservador aumentariam, em muito, as chances de vitória do PT. A ausência do apoio do PSD, todavia, não definem a derrota do PT antes mesmo que se inicie, de fato, o processo eleitoral. Votos conservadores do PSDB, somados aos votos conservadores do PSD, podem manter o status quo dos dois grupos junto à direita paulistana, mas não bastam para arregimentar o eleitorado de centro que, em polarizações recentes, tem se inclinado favoravelmente a candidaturas tucanas (ou antipetistas).

O jogo só começou. O PT tem dificuldades na capital paulista, mas Serra não nada em águas calmas. Kassab sai do governo desgastado por sete anos de gestão que não provocaram grandes entusiasmos no eleitorado paulistano (inclusive no que votou nele). A única utilidade do pessedista nessas eleições, estrategicamente, é somar (ou não) o seu eleitorado conservador ao eleitorado conservador de Serra.

O desgaste não é unicamente de Kassab. Serra disputa essa eleição por uma questão de sobrevivência e aposta numa vitória que o fará novamente influente no PSDB, a sigla que deseja para concorrer à Presidência em 2014. Pode perder a aposta, e com isso se inviabilizar por completo no partido. Seu Plano B, o PSD, não o contém mais - para lá afluíram lideranças políticas de oposição que queriam aderir ao governo da presidenta Dilma Rousseff (há uns tempos, Serra encontrou num evento um articulador do PSD e perguntou como ia o "nosso partido". O político respondeu polidamente, mas quando conta a história não consegue evitar um 'nosso de quem, cara pálida. Nós somos Dilma'). Serra leva o PSD para o seu projeto de poder municipal na capital paulista; não o leva para um projeto nacional de disputar novamente a Presidência da República.

O candidato tucano também vai ter de lidar com o fato de que foi eleito prefeito em 2004, ficou dois anos no poder para se candidatar a governador e, eleito em 2006, abandonou o cargo para disputar a Presidência. Isso não é muito simpático para o eleitorado: é vender uma mercadoria e entregar outra. Tem ainda que resolver, do ponto de vista do marketing político, o que pode colar no adversário, sem lançar mão do discurso anticorrupção. Vai ser muito complicado para o candidato tocar nesse assunto com o livro de Amaury Ribeiro Jr., “Privataria Tucana”, ainda na lista dos mais vendidos. A soma dos problemas que Serra terá numa campanha não autorizam, portanto, apostar que um simples discurso antipetista resolva uma rejeição que já é grande e tende a aumentar.

O quadro eleitoral paulistano, antes da definição da candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura, era de absoluta fadiga de material. Existiam dois candidatos "naturais", Serra, pelo PSDB, e Marta Suplicy, pelo PT, ambos com alto grau de rejeição. A vitória se daria pela polarização, que chegou ao limite nas últimas eleições, ou se abriria espaço para novas lideranças que fugissem do clima de radicalização, mantido na conservadora capital paulista como uma caricatura da polarização nacional.

Se a adesão de Kassab pode evitar o racha da classe média conservadora paulistana nas eleições, o que favorece Serra, sua adesão aos tucanos tem o seu efeito colateral: permite que não se dividam os votos do PT na periferia, que são Marta (que não queria dormir e acordar de mãos dadas com Kassab) e família Tatto (cujo membro mais importante, Jilmar, ganhou a liderança na Câmara dos Deputados depois que desistiu de sua pré-candidatura). No dia seguinte ao recuo de Kassab, que já estava quase no barco petista remado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT tinha mais chances de reunificar o seu eleitorado de periferia. Haddad não pode prescindir de Marta e Tatto na sua campanha. E ambos não podem achar que o candidato neófito em política não tem chances. 

Haddad tem índices pequenos de declarações de voto nas pesquisas até agora feitas, mas jamais disputou eleição. O processo eleitoral o definirá como candidato do PT e, principalmente, de Lula. E ele não tem rejeição própria, como é o caso de Marta Suplicy, que já se expôs muito à classe média paulistana, que tem com ela grandes diferenças. A vantagem de Haddad é que, na primeira disputa eleitoral, terá apenas a rejeição que já é do seu partido. Não agregará a ela nenhuma outra que lhe seja própria. Pelos índices de rejeição exibidos até agora por Serra e Marta (que foi incluída nas pesquisas feitas até agora), isso já é uma grande vantagem.

A hipótese de que surja um terceiro nome, no espaço aberto pela rejeição a Serra e pelo antipetismo, é altamente improvável. O PMDB de Gabriel Chalita não existe há muito tempo na capital e no Estado. Celso Russomano (PRB) tem maior exposição que Haddad, mas não tem partido. O eleitorado que era malufista não foi herdado pelo PRB, mas incorporado pelos políticos petistas, que ganharam a periferia com políticas sociais do governo Marta Suplicy, em São Paulo, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com o método tradicional de arregimentação usado pela família Tatto.

O voto conservador é forte em São Paulo, mas não faz milagre. Apenas o sorriso de Serra não ganha uma eleição.

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As ruas de Bagdá



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Prévias tucanas



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Maconha ainda é principal droga usada na América do Sul, mostra relatório

Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Relatório divulgado hoje (28) pela Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (Jife), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que a maconha continua sendo a principal droga usada na América do Sul. A prevalência anual de abuso de maconha atingiu 3% da população da região entre 15 e 64 anos, ou seja, cerca de 7,6 milhões de pessoas, em 2009.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), cerca de 20% da maconha usada no Brasil têm origem doméstica e 80% entram no país pelo Paraguai. Em 2010, as autoridades brasileiras destruíram 2,8 milhões de plantas de cannabis, incluindo mudas, e apreenderam mais de 155 toneladas da erva.

A cocaína é a principal droga usada por pessoas que se submetem a tratamento por problemas com substâncias químicas na América do Sul. Segundo o relatório da Jife, em 2010, as apreensões de cocaína, tanto na forma de base quanto na de sal, diminuíram em vários países da região, incluindo a Argentina, Colômbia, o Equador, Uruguai e a Venezuela, se comparadas ao ano anterior.

A quantidade total de cocaína apreendida diminuiu de 253 para 211 toneladas na Colômbia, e de 65,1 para 15,5 toneladas no Equador. De 2009 a 2010, a quantidade total de cocaína apreendida  no Peru aumentou em quase 50%, indo de 20,7 para 30,8 toneladas. Em 2010, um aumento da quantidade de cocaína apreendida também foi relatado pela Bolívia (29,1 toneladas), pelo Brasil (27,1 toneladas), Chile (9,9 toneladas) e Paraguai (1,4 toneladas).

Em 2010, a área total de cultivo ilícito de arbusto de coca na América do Sul era 154,2 mil hectares,
6% menos do que em 2009. A área sob cultivo ilícito diminuiu significativamente na Colômbia e teve ligeiro aumento no Peru. No entanto, não houve mudança considerável no cultivo de coca na Bolívia.

De acordo com o relatório, a Interpol (organização internacional que ajuda na cooperação de polícias de vários países) e o Unodc estimam que o mercado ilícito global de cocaína valha mais de US$ 80 bilhões. Desde 1998, o mercado ilícito de cocaína na América do Norte, que corresponde a 40% do mercado, tem diminuído, enquanto a demanda por cocaína na Europa, responsável por 30% do mercado, tem aumentado.

Edição: Graça Adjuto

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Bloco dos sujos é criado no Rio



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França em transe

O retorno da política 

Em abril, a Europa será palco de duas importantes eleições: o primeiro turno da eleição presidencial francesa e a eleição legislativa na Grécia. Ambas ocorrerão sob o signo do agravamento da crise socioeconômica na zona do euro e do esgotamento de modelos liberais de governo.

A França, sob Nicolas Sarkozy, iniciou um dos mais impressionantes processos, na sua história recente, de desmonte do serviço público, de restrição orçamentária e de redução de impostos para ricos.

Sarkozy havia prometido "aumentar o poder de compra das famílias", diminuir o desemprego por meio da flexibilização do trabalho e colocar a economia francesa em rota de crescimento. Nada disso foi feito. Em seu lugar, o governo francês divertia-se em expulsar ciganos e criar o Ministério da Imigração e Identidade Nacional, enquanto inúmeros estudos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) demonstravam a importância da imigração como motor de sustentação da economia europeia.

A situação política francesa parecia o pior dos mundos. Enquanto Sarkozy e François Hollande, candidato do PS (Partido Socialista), digladiam-se na conquista do primeiro lugar, cresce o inacreditável. O FN (Front National), um partido xenófobo, racista, representante da pior tradição da extrema-direita europeia, chegou à casa dos 20%. Não é difícil compreender que, quando o medo torna-se o afeto político central, a extrema-direita sempre capitaliza.

Mas não deixa de ser interessante um movimento político que muitos julgavam impossível. Uma coalizão de agrupamentos de esquerda conseguiu lançar um candidato com densidade eleitoral,

Jean-Luc Mélénchon, que chega a 10% das intenções de voto. Um partido à esquerda do PS com dois dígitos de intenção de voto é algo que não ocorre na França desde 1981.

Sem medo de chamar de gato a um gato e de estigmatizar as derivas racistas e isolacionistas da extrema-direita, Mélénchon conseguiu empurrar para a defensiva um partido que cresceu moldando impunemente a pauta do debate político e se colocando como defensor das classes baixas contra o "cosmopolitismo" dos burocratas de Bruxelas.

Em um impressionante debate na TV entre os dois representantes do extremo político, a candidata do FN, Marine Le Pen, preferiu ler ostensivamente jornais diante das câmeras a responder às acusações do candidato da esquerda.

Isso demonstra como vale a pena relembrar uma frase visionária de Jean Baudrillard: "Melhor morrer pelos extremos do que pelas extremidades". Em momentos de grave crise, deixar que o discurso da ruptura seja monopolizado pela extrema-direita é fazer prova de suicídio político.


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A revolução educacional finlandesa

As lições da revolução educacional finlandesa para o mundo 

No ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) 2009, aplicado em 65 países pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a Finlândia alcançou o 3º lugar. O país chama a atenção não só pelos bons resultados, mas por apresentar um modelo diferente dos outros líderes do ranking, China e Coreia do Sul. No lugar de toneladas de exercícios e de um ritmo frenético de estudo, na Finlândia, há pouco dever de casa, e a maior preocupação é com a qualidade dos professores e dos ambientes de aprendizado. Não há avaliações periódicas padronizadas de alunos e docentes, que não recebem remuneração por desempenho. E todo o sistema escolar é financiado pelo Estado.
Em seu livro, "Finnish lessons: what can the world learn from educational change in Finland?" (em uma tradução livre, Lições finlandesas: o que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?), Pasi Sahlberg, diretor de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação do país, diz que o magistério é a carreira mais popular entre os jovens e que a transformação no Brasil deve começar pela igualdade de acesso a um ensino de qualidade.

O GLOBO: A Finlândia ocupa a 3 posição no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), entre 65 países avaliados pelo exame da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, nem sempre foi assim. Quando começou a transformação na educação finlandesa?
PASI SAHLBERG: A grande transformação do sistema educacional finlandês começou no início da década de 1970, quando foi criado o sistema de ensino obrigatório de nove anos. Todas as crianças do país passaram a estudar em escolas públicas parecidas e de acordo com o mesmo currículo nacional. O principal objetivo desse modelo era igualar a oportunidade de acesso a uma educação de qualidade e aumentar o nível educacional da população. Assim, a reforma educacional não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela democratização do acesso a escolas de qualidade. Esse movimento continuou nos anos 90, com a necessidade de uma população mais preparada para o mercado de trabalho.

O GLOBO: Quais foram as bases da revolução educacional finlandesa? Quais são seus pontos fortes?
SAHLBERG: O compromisso da sociedade finlandesa pela igualdade de acesso a uma educação de qualidade foi decisivo. A Finlândia com seus 5 milhões de habitantes não pode perder nenhum jovem. Todos precisam ter uma educação de qualidade. Os pontos fortes do sistema finlandês são o foco nas escolas, para que elas possam ajudar as crianças a ter sucesso; educação primária de alta qualidade, que dê uma base sólida para as etapas seguintes do aprendizado; e a formação de professores em universidades de ponta, que tornaram a profissão uma das mais populares entre os jovens finlandeses.

O GLOBO: No Brasil, muitas políticas públicas sofrem com a falta de continuidade. Isso acontece na Finlândia? O que fazer para garantir a continuidade?
SAHLBERG: A Finlândia manteve uma política pública estável desde a década de 70. Diferentes governos nunca tocaram nos princípios que nortearam a reforma, apenas fizeram um ajuste fino em alguns pontos. Essa ideia de uma escola pública de qualidade para todos os finlandeses foi um consenso nacional construído desde a Segunda Guerra Mundial. É o que no livro eu chamo de "sonho finlandês".

O GLOBO: O mundo parece buscar uma fórmula mágica para a educação. Existe uma fórmula válida para todos?
SAHLBERG: Não, não existe nenhuma fórmula mágica nem um milagre secreto na educação finlandesa. O que fizemos melhor do que outros países foi entender qual é a essência do bom ensino e do bom aprendizado. As crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens. Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a políticas regidas pelo mercado em vários países. Essa lógica de testar estudantes e professores direcionou os currículos e aumentou o tédio em milhões de salas de aula. A fórmula para uma reforma da educação em muitos países é parar de fazer essas coisas sem sentido e entender o que é importante na educação.

O GLOBO: O que foi feito na Finlândia e que poderia ser reproduzido em outros países em desenvolvimento, como o Brasil?
SAHLBERG: A pergunta deve ser o que é possível aprender com a experiência finlandesa, não reproduzir. Primeiro, a experiência da Finlândia mostrou que é possível construir um modelo alternativo àquele que predomina nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países. Mostramos aqui que reformas guiadas pelo mercado, com foco em competição e privatizações não são a melhor maneira de melhorar a qualidade e a equidade na educação. Segundo, é importante focar no bem-estar das crianças e no aprendizado da primeira infância. Só saudáveis e felizes elas aprenderão bem. Terceiro, a Finlândia mostrou que igualdade de oportunidades também produz um aumento na qualidade do aprendizado. É preciso que o Brasil combata essa desigualdade de acesso. Só um plano de longo prazo para a educação e compromisso político possibilitarão que os resultados sejam alcançados.

O GLOBO: Os professores ocupam um papel importante no sistema finlandês. Como prepará-los bem? Um salário atrativo é importante?
SAHLBERG: Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou economistas. Eles precisam de uma sólida formação teórica e treinamento prático. Em todos os sistemas educacionais de sucesso, professores são formados em universidades de excelência e possuem mestrado. O salário dos professores deve estar no mesmo patamar de outras profissões com o mesmo nível de formação no mercado de trabalho. Também é importante que professores tenham um plano de carreira, com perspectivas de crescimento e desenvolvimento.

O GLOBO: No Brasil, poucos jovens são atraídos pelo magistério. A carreira atrai muitos jovens na Finlândia?
SAHLBERG: O magistério é uma das profissões mais populares entre os jovens finlandeses. Todo ano, cerca de um a cada cinco alunos que terminam o ensino médio tem a carreira como primeira opção. Há dez vezes mais candidatos para programas de formação de docentes para educação infantil do que vagas nas universidades. A Finlândia tem o privilégio de poder controlar a qualidade dos professores na entrada e depois garantir que só os melhores e mais comprometidos serão aceitos nessa profissão nobre.

O GLOBO: A inclusão das novas tecnologias nas salas de aula vem sendo muito debatida. Como você vê esse processo? Como isso é feito na Finlândia?
SAHLBERG: Tecnologia é parte das nossas vidas e é usada nas escolas finlandesas. Professores na Finlândia usam tecnologia para ensinar de maneiras muito diferentes. Alguns, a utilizam muito e outros raramente. Aqui a tecnologia é uma ferramenta, mas o foco continua sendo na pedagogia entre pessoas, sem tecnologia. A tecnologia não deve guiar o desenvolvimento educacional e, sim, ser uma ferramenta como várias outras.

O GLOBO: Retomando o título do seu livro, quais são, afinal, as principais lições do sistema de educação finlandês?
SAHLBERG: A mais importante das lições é que há uma alternativa para se chegar ao sucesso prometido por reformas guiadas pelo mercado. A Finlândia é o antídoto a este movimento que impõe provas padronizadas, privatização de escolas públicas e remunera os professores com base em avaliações de desempenho que se tornou típico de diversos sistemas educacionais pelo mundo.

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O Muro de Berlim neoliberal

Fanáticos pelo mercado poderiam ser mais humildes 

Confesso que estou espantado com a insistência de determinados comentaristas que insistem na defesa fanática do mercado. A crise daquilo que já foi chamado de Primeiro Mundo deveria obrigá-los a ter um momento de humildade.

Para quem gosta de analogias históricas, estamos vivendo um Muro de Berlim do ideário conservador. Propostas e soluções defenidas como a salvação da humanidade há três décadas se revelaram irracionais e nocivas para a maioria das pessoas. Só não ve quem não quer. Estamos falando de um colapso que envolve os Estados Unidos e a Europa. São economias que concentram a maior parte da riqueza mundial, com PIBs equivalentes em torno de 14 trilhões de dólares cada uma.
Em teoria, nenhuma delas deveria estar numa situação que lembra as repúblicas sul-americanas de trinta anos atrás, não é mesmo?

Um fracasso desse tamanho deveria levar pessoas sensatas a se perguntar: será que não há alguma coisa profundamente errada com as crenças e decisões tomadas nos últimos anos? A explicação dos fanáticos pelo mercado para a crise reside numa ficção monetarista: os governos europeus gastaram demais, as contas ficaram desequilibradas, as dívidas explodiram e o colapso chegou. Simples e errado.

O problema é que nenhum governo europeu gastou demais. O único que pode ser acusado de ter exibido um comportamento desse tipo é a Grécia, cujo PIB é irrelevante do ponto de vista do Continente. Mas Itália, Espanha, Portugal, França e Inglaterra estão em crise e não podem ser enquadrados nessa situação. De uma forma ou de outra, todos estes países passaram os últimos anos reduzindo benefícios sociais, controlando salários e diminuindo investimentos do Estado. O Bem-Estar continua muito superior ao nosso mas, em termos relativos, não exibe a mesma qualidade de antes.

Por qualquer critério que se queira empregar, estes países tinham as contas em ordem e até 2008 eram tratados como alunos exemplares pelo mercado financeiro. Quando os EUA enfrentaram a queda de Wall Street, a reação conservadora foi dizer que a Europa ficaria de fora da tempestade porque tinha governantes austeros e responsáveis.

O erro era não enxergar que, nos dois lados do Atlântico, as economias operavam pelo mesmo sistema de crescer a partir de bolhas financeiras. Com elas, os mercados criaram um sistema de multiplicar empréstimos, os derivativos, que criavam uma riqueza artificial que, cedo ou tarde, iria cobrar sua conta.

Muitas pessoas culpam o sistema financeiro pela crise. Falam em ganância. É uma explicação correta mas parcial. Desde o século XVIII Adam Smith explicou que os  ”egoísmos individuais” ajudam a mover o capitalismo. Concordo que é necessário criar regras para impedir a ação de tubarões do mercado, que transformaram a economia mundial num cassino em que todos perdem para que só eles possam ganhar.

Mas a crítica à ganância pode se transformar em simples moralismo e a falta de regras transparentes, em simples ingenuidade, se não se discute o problema real — explicar o que deveria ser feito para promover o crescimento. As bolhas só proliferaram porque ajudavam a fazer a elevar o consumo e faziam a economia andar, mesmo de uma maneira artificial e insustentável. Sem elas, a economia ficaria estagnada.

Isso porque elas foram uma resposta a um problema anterior, que é o empobrecimento relativo das sociedades do ex-Primeiro Mundo. É aí que se encontra a origem das bolhas. A partir dos anos 80, com a desregulamentação da economia, o enfraquecimento das garantias sociais e as privatizações indiscriminadas, ocorreu um processo de concentração de renda na Europa e nos Estados Unidos. É impensável para muitos brasileiros. Parece estranho, quando se pensa nas nossas carências. Mas é real.

Com o fim das barreiras para o comércio exterior, muitas empresas mudaram-se para a China e os Tigres Asiáticos, empregando a mão de obra barata daquela região do mundo. As pessoas falam em produtos chineses em respeito à geografia. Na verdade, são produtos de empresas americanas e européias que são exportados para seus países de origem. Têm a mesma qualidade mas custam menos. Seu maior preço é o esvaziamento das sociedades americanas e européias.
Os bons empregos produtivos dos países desenvolvidos começaram a minguar. Surgiram economias de serviço, as sociedades do conhecimento e assim por diante. O sistema financeiro se agigantou. Na falta de riqueza real, era preciso criar meios artificiais para manter a economia funcionando.

O crédito passou a ser empregado para substituir uma renda que as pessoas não possuíam mais. Não tem a ver com a expansão brasileira de crédito. Foi um processo gigantesco e inteiramente distorcido. As famílias passavam a acumular dívidas várias vezes superiores a seu patrimonio. Pagavam quantias ínfimas das prestações do cartão de crédito, que passou a funcionar como substituto de sua riqueza perdida. Eram estimuladas a gastar o que nunca iriam pagar.
O juro era mantido baixo para que todo mundo pudesse pedir emprestado. Os mais pobres, de quem se podia cobrar juros mais altos, eram empurrados para os bancos para pedir dinheiro de qualquer maneria.

Quem procurar os rastros dessa desigualdade, irá encontrar as medidas de austeridade, corte de gastos e desregulamentação iniciada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Foi ali, naquelas iniciativas contra os bons empregos industriais, os bons salários e o Estado de Bem-Estar Social, que se ampliou a desigualdade nas sociedades desenvolvidas. A ideia era que as medidas de proteção social constituiam um obstáculo a competição entre os indivíduos e eram um entrave ao crescimento. Margaret Thatcher chegava a dizer que “não existe essa coisa de sociedade. Existem individuos e suas famílias.”

Trinta anos depois, um fiasco desse tamanho deveria levar os mais crédulos a reavaliar suas convicções.  Também deveria ser uma boa razão para se investir no crescimento e evitar programas de austeridade.

Mas é difícil. Como o empobrecimento da Espanha revela de maneira exemplar, a austeridade é o caminho mais rápidos para empobrecer os pobres e enriquecer os ricos.

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Os flanelinhas de Serra


Só uma brincadeira 

O secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Andrea Matarazzo, filiado ao PSDB, certa vez quis ser prefeito da capital. Justo direito. Certamente achou que tinha todas as condições de governar os paulistanos. Para tanto, começou a trabalhar a sua pré-candidatura, a visitar os simpatizantes, a arranjar cabos eleitorais, montou até um blog para mostrar as suas ideias, os apoios que vinha recebendo, essas coisas todas.
Seu partido, o PSDB, como outros três políticos também mostraram a disposição de concorrer ao cargo, resolveu que a indicação do candidato seria por meio de uma prévia, uma eleição na qual os filiados seriam os eleitores.

Tudo certo, tudo democrático.
Mas tudo de mentirinha.

Andrea, o sobrinho-neto do conde Francesco Matarazzo, estava só fingindo, brincando num jogo de faz-de-conta cujo único objetivo era preparar o lugar para a entrada triunfal de seu chefe em cena.
"Serra foi o melhor prefeito que São Paulo teve", disse Andrea, o sobrinho-neto, ao justificar a retirada de sua pré-candidatura e o apoio incondicional ao chefe.

O melhor prefeito...
Serra ficou menos de dois anos no cargo, depois de jurar, de assinar declaração registrada em cartório, que terminaria o mandato.
Sua administração tem um única obra de destaque: Gilberto Kassab, que era o seu vice e recebeu a prefeitura no colo.
Kassab, que disputa com Celso Pitta o título de prefeito mais impopular da história de São Paulo.

O deputado Bruno Covas, também sobrinho de outra figura pública, o ex-governador Mário Covas, também quis ser prefeito de São Paulo, e como Andrea, desistiu assim que Serra anunciou que vai ser candidato.
Mesmo com essas duas desistências, a tal prévia está mantida. Pode ser feita neste domingo, dia 4, ou em qualquer outro dia.
Tanto faz.
Como a pré-candidatura de Andrea e de Bruno, é só de brincadeira, só para sair nos jornais.
As únicas pessoas que a levam a sério são os outros dois pré-candidatos, Ricardo Tripoli e José Aníbal.
Dois tolos, incapazes de ver que o PSDB escancara agora o que já é faz algum tempo: uma reunião de meia dúzia de caciques emplumados, cujo único objetivo é obter mais plumas para dividir entre si.

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Os assassinos do projeto social-democrata europeu


A direita dos dois lados do Atlântico jamais aceitou o projeto social democrata, de um lado, ou politicamente liberal, de outro. Na realidade, também nunca teve, antes, poder político absoluto para impedi-lo ou revertê-lo. Agora, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na mais clara demonstração de que seu mandato é político, e não técnico, ousa decretar a necessidade da morte do projeto social democrata para salvar a produtividade europeia. 
J. Carlos de Assis (*)

O projeto social democrata europeu foi o grande responsável pelo equilíbrio social e político da Europa ao longo dos anos de reconstrução do pós-guerra e de mais de quatro décadas de guerra fria. Hoje, sob o pretexto da crise fiscal, está sendo intencionalmente destruído pela direita política do continente que conseguiu fazer encastelar nos postos-chave da União Europeia e nos organismos multilaterais de regulação financeira verdadeiros assassinos da ordem social progressista que, mais do que várias divisões de tanques, havia sido a força de contenção do comunismo na Europa enquanto houve ameaça soviética.

Lembro-me do tempo em que Berlim Ocidental era a vitrina contra a qual a propaganda capitalista expunha as fantásticas vantagens de ordem social e econômica do Ocidente comparada com a vizinha relativamente atrasada do Leste. A despeito do fantástico progresso material norte-americano, não eram os Estados Unidos, mas os Estados sociais democratas, trabalhistas ou socialistas europeus que se apresentavam como modelos de sociedade em face do regime soviético. A agressividade intrínseca da sociedade americana, com seu ritmo exacerbado de competição, não era algo a ser emulado. A Suécia generosa, sim.

É todo esse edifício social democrata que vemos agora ser demolido pela direita que assumiu e detém o poder nos Estados principais da Comunidade Europeia. Politicamente, jamais se viu algo parecido antes. As sociedades europeias, simultaneamente, entregaram o poder à direita na Alemanha, na França, na Inglaterra e na Itália, sem falar nos países menores. Varreram do mapa, literalmente, os progressistas. Claro, o que me espanta, junto com essa convergência, é a extraordinária incompetência das esquerdas e dos progressistas em apresentarem às sociedades uma alternativa política ao desastre que se aprofunda.

Os assassinos da ordem social democrata juntaram políticos e tecnocratas para eliminar as poucas dessas características que o Estado norte-americano, a mais atrasada entre as democracias sociais, tentou construir ao longo do tempo - aí incluída a lei de proteção à saúde em favor dos mais pobres que Barak Obama, com extrema dificuldade, fez aprovar no início do seu mandato. A aprovação dessa lei suscitou ódio dos ricos, e muitos republicanos mantêm na agenda o propósito de eliminá-la. Curiosamente, se observarmos o noticiário e os comentários da grande mídia brasileira, essa questão sequer existe. Não é um fato jornalístico.

Obama também foi bloqueado numa segunda tentativa de levantar a economia por estímulos fiscais de estilo keynesiano, o que teria sido um benefício para os mais fracos da sociedade (desempregados) e um reforço para a recuperação econômica. Nossa mídia não vê isso como uma questão social ou econômica, mas estritamente política. Registra que os republicanos não querem estímulos fiscais, mas não analisa por que os republicanos não os querem. O propósito aqui, assim como na Europa, é claro: destruir o Estado politicamente liberal (não confundir com economia liberal) herdado do New Deal de Roosevelt.

A direita dos dois lados do Atlântico jamais aceitou o projeto social democrata, de um lado, ou politicamente liberal, de outro. Na realidade, também nunca teve, antes, poder político absoluto para impedi-lo ou revertê-lo. Na época de Reagan e Thatcher, por exemplo, a direita democrata cristã assumiu o poder na Alemanha mas os sociais democratas e socialistas estavam no poder na França e na Itália. Seus líderes converteram-se ao neoliberalismo, mas enquanto havia União Soviética a direita social não se atrevia a desmontar o Estado do bem-estar social, exceto na margem, como a Inglaterra. 

Agora, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na mais clara demonstração de que seu mandato é político, e não técnico, ousa decretar a necessidade da morte do projeto social democrata para salvar a produtividade europeia. Só o conforto de se ver apoiado pela direita política que domina inteiramente a Europa poderia justificar essa arrogância. É claro, porém, que isso não é o fim da história. Por muito menos a Europa se incendiou em 68. O que talvez retarde a extensão do incêndio a partir da Grécia seja a falta de alternativa apresentada pelas esquerdas tradicionais.

Entretanto, mais que as contradições no plano estritamente político, as contradições ao nível das forças produtivas acabarão por arrastar a Europa para uma solução de sua crise seguindo o curso de leis dialéticas tão bem descritas por Marx. É que não existe, em face da atual crise, uma nação hegemônica (como foram os EUA no pós-guerra) com força para por ordem na Europa e no mundo segundo seus próprios ditames. Qualquer solução, por mais que tarde, terá de vir pela via da cooperação interna e internacional, talvez no G-20. Do contrário, haverá instabilidade permanente, e isso é prejudicial também para os ricos e poderosos. (Note-se que o poderoso presidente da Federação Industrial da Alemanha está propondo um Plano Marshall para a Grécia. Sintomaticamente, nossa mídia também não fala nisso.)

O projeto social democrata, sob a égide do Mercado Comum Europeu, foi bom para pobres e para ricos. Mas jamais foi aceito pela direita. Surgiu basicamente de uma coalisão do centro (Democracia Cristã na Alemanha e na Itália) com socialistas (França), ficando de fora a esquerda revolucionária (comunistas). Agora, sob a égide da regressiva União Europeia, o centro europeu (Democracia Cristã) vergou em direção à direita (liberais e neoliberais) em toda a Europa, formando o consenso perverso que objetivamente não é bom nem para os pobres (por óbvio) nem mesmo para os ricos, por causa da instabilidade. (No Brasil, o projeto social democrata nunca vingou: o antigo PSD era dominado por oligarquias e o PSDB de Fernando Henrique jamais passou de uma grosseira mistificação neoliberal.)

As próximas eleições americanas são cruciais. Se Obama reeleger-se e eleger junto um Congresso majoritariamente democrata, talvez o projeto social democrata na Europa se salve por pressão americana. Se reeleger-se sem maioria, nada poderá fazer. Se perder, é possível que o processo dialético seja acelerado, e a sociedade, num momento seguinte, reaja finalmente ao neoliberalismo e ponha para fora, nos EUA e na Europa, seus representantes políticos a fim de que se inaugure uma nova ordem. No intervalo disso, teremos o caos. E, no caos, pode ser que aconteçam coisas tão estúpidas como um bombardeiro de Israel ao Irã! 

(*) Economista, professor da UEPB, presidente do Intersul, e coautor, junto com o matemático Francisco Antonio Doria, de “O Universo neoliberal em desencanto”, recém-lançado pela Civilização Brasileira. 

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Serra divulga seu programa de governo



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Café com a presidenta - 27/02

Luz para Todos fará mais 400 mil ligações até 2014
"Sempre estivemos convencidos de que luz elétrica é um direito de cada brasileiro"

O Programa que já beneficiou 12 milhões de pessoas desde 2003, quando foi criado, começa a ser levado a comunidades de mais difícil acesso. Para enfrentar o desafio, o governo lança mão de novas tecnologias e criatividade, como a utilização de postes de fibra de vidro, mais leves e fácil de ser transportados.




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A promessa de Serra 2 - O retorno


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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mudar o mundo



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O que significa PSDB?



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Farc anunciam fim de sequestros na Colômbia e aceitam libertar reféns

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram neste domingo (26) que deixarão de sequestrar pessoas no país em troca de dinheiro para financiar a luta armada. A organização anunciou também a libertação de todos os reféns que estão em seu poder. As Farc começaram a atuar na década de 1960 e se tornaram expoentes da guerrilha esquerdista na América Latina.

O comunicado relativo ao fim dos sequestros com extorsão, assinado pelo Secretariado do Estado-Maior Central das Farc e publicado no site do grupo na internet, afirma que os dez prisioneiros mantidos atualmente pela organização serão soltos, quatro a mais que os seis prometidos no final do ano passado. De acordo com as Farc, a libertação só não ocorreu antes porque o governo colombiano não desmilitarizou a área onde a ação ocorreria.

Apesar de anunciar o fim desse tipo de sequestros, os guerrilheiros afirmam que as atitudes do governo colombiano, como o incremento de gastos militares, indicam “o prolongamento indefinido da guerra”. O atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, tem como uma de suas bandeiras o cerco às Farc e o fim da guerrilha armada no país. "É hora de começar a esclarecer quem e com que propósitos sequestra-se hoje na Colômbia", ressalta trecho do documento.

No comunicado, a organização também destaca a participação do governo brasileiro na libertação dos reféns, confirmada há duas semanas pelo governo colombiano e pelo Itamaraty. Esta não é a primeira vez que o Brasil colabora na libertação de reféns das Farc, o que já ocorreu em 2009 e 2010. No ano passado, a ajuda brasileira foi frustrada, já que os prisioneiros prometidos não foram libertados.

A organização também manifesta "sentimentos de admiração" aos familiares dos policiais e militares ainda retidos, que "jamais perderam a fé em que os seus recobrariam a liberdade".

Edição: Nádia Franco

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PIG em ação



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Aprovação de presidente Humala sobe a 59%

A popularidade do presidente Ollanta Humala subiu para 59% em fevereiro, de 54% no mês anterior, informa uma pesquisa Ipsos-Apoyo divulgada hoje. Segundo a sondagem, 29% dos consultados desaprovam o trabalho do governante, enquanto 12% não quiseram dar opinião sobre o tema.

Humala, de 49 anos, tomou posse em julho passado, para um mandato de cinco anos. O primeiro-ministro peruano, Oscar Valdés, tem aprovação de 28%, mas 44% das pessoas creem que ele deve ser mantido no importante posto. Já 32% gostariam que Valdés deixasse o governo. A pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos porcentuais. As informações são da Dow Jones.



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Quadrilha serrista já ataca Haddad na web

Típica obra da turminha cheia de ética de Soninha e Graeff

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Planejamento de nova base na Antártica deve começar amanhã, diz Celso Amorim

Nova estação antártica brasileira terá arquitetura mais “completa e orgânica”
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

A nova base brasileira na Antártica , que deverá ser reconstruída após a Estação Comandante Ferraz ter sido destruída por um incêndio neste sábado (25), terá uma arquitetura nova, mais “completa e orgânica”. A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim.

“A nossa ideia é imediatamente, já, chamar arquitetos para fazer desenhos, inclusive um desenho mais novo. Não estou dizendo que é por isso que aconteceu o incêndio, mas, obviamente, a base começou há 30 anos, então, ali ela foi agregando um pedaço ou outro. Agora já podemos pensar numa coisa para o futuro, digamos, de maneira mais completa, mais orgânica”, disse Amorim.

De acordo com o ministro da Defesa, o planejamento da nova estação antártica, na Ilha Rei George, deve começar amanhã (27). Ele ressaltou, no entanto, que ainda não é possível avaliar os danos na estação incendiada, nem precisar quando a nova base estará pronta.

O incêndio na base brasileira começou por volta das 2h de ontem, na praça de máquinas, local onde ficam os geradores de energia. Dois militares morreram, o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos, ambos da Marinha. Eles participavam do grupo de apoio que tentava apagar o incêndio originado na casa de máquinas da base. O primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos ficou ferido.

Edição: Nádia Franco
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Basta você querer



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A palavra de Geraldo Alckmin

Completado um mês, no dia 22, de seu enfático compromisso, o governador Geraldo Alckmim ainda não identificou ("de imediato") nem tomou providência alguma em relação ao policial, e seus quatro companheiros, que surrou a cassetete um homem desarmado, sereno e triste, de mãos ao alto, que apenas caminhava em direção oposta aos facínoras fardados. No chão de escombros do Pinheirinho.


Janio de Freitas
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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dilma diz que reconstruirá estação na Antártida


Nota à Imprensa 
Acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz 

A presidenta Dilma Rousseff recebeu com grande consternação, neste sábado, a informação sobre o incêndio ocorrido na Estação Antártica Comandante Ferraz, que vitimou os militares da Marinha suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos, e provocou ferimentos no sargento Luciano Gomes Medeiros.

A presidenta determinou ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, a adoção de todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos cientistas, militares e visitantes que se encontravam na Base.

A presidenta destaca o heroísmo dos militares no combate ao incêndio e, consternada, manifesta sua solidariedade e do seu governo com as famílias dos dois militares, mortos ao servir a Pátria.

A presidenta reafirma a importância do programa de pesquisas desenvolvido na Estação e elogia a abnegação e o desprendimento dos brasileiros que lá trabalham. A Presidente manifesta, ainda, a firme disposição do País de reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz.

Em telefonema hoje à tarde, ela agradeceu ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, o apoio daquele país no socorro e no resgate dos brasileiros atingidos pelo incêndio.

Agradece, também, o apoio e a solidariedade prestados pelos Governos da Argentina, e da Polônia.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Ateísmo não é uma religião


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Encontrados dois corpos na Estação Comandante Ferraz


O Ministério da Defesa acaba de confirmar a morte de duas pessoas em decorrência do incêndio ocorrido na madrugada deste sábado na Estação Comandante Ferraz, localizada na Antártica. Segundo o ministério, há indícios que os corpos encontrados sejam do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o do sargento Roberto Lopes dos Santos, que estavam desaparecidos. A Força Naval enviará uma equipe de peritos ao local para identificá-los.

O sargento Luciano Gomes Medeiros, que se feriu no acidente, segue internado.

Segundo a Marinha, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) partiu do Rio de Janeiro, às 16h, para a cidade de Punta Arenas, no Chile. A aeronave trará o militar ferido e os 32 civis que foram retirados da estação.

Mas cedo, o ministro Celso Amorim havia manifestado preocupação com a situação dos dois desaparecidos. “Ao longo das últimas horas, ele também manteve contato com os ministros de Ciência e Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com quem tratou do ocorrido.” Afirma nota divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério da Defesa. 

(Fábio Almeida | Valor)

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Incêndio atinge base brasileira na Antártica

Um incêndio atingiu hoje (25) a Estação Antártica Comandante Ferraz, informou a Marinha em nota à imprensa. Estão desaparecidos o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos. Outro militar ficou ferido no acidente, mas não corre risco de morte. Segundo a Marinha, as famílias já foram comunicadas do acidente e receberão o apoio necessário.

Os 15 militares da Marinha responsáveis pela manutenção e operação da Estação tentaram combater o fogo que atingiu a Praça das Máquinas, local onde estavam instalados os geradores de energia, mas já foram levados para a Base chilena Eduardo Frei. Para o mesmo local foi levado o militar ferido depois de receber os primeiros socorros na Estação polonesa de Arctowski.

A Marinha informou ainda que 30 pesquisadores, um alpinista que presta apoio às atividades de pesquisa, um representante do Ministério do Meio Ambiente e os 12 funcionários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, que estavam na Estação Antártica, foram transferidos de helicópteros chilenos para a Base Eduardo Frei, de onde partiram em aeronave da Força Aérea Argentina para a cidade de Punta Arenas, no Chile. Um avião da Força Aérea Brasileira partiu do Rio de Janeiro às 16h para trazer o grupo de volta ao Brasil.

A Marinha informou ainda que, assim que as condições meteorológicas permitirem, um equipe do Grupo-Base será enviada à Estação “para avaliar os danos causados à estrutura”. Um Inquérito Policial Militar foi instaurado para apurar as causas do incêndio.

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O que a Opus Dei, o PSDB e a Jovem Pan estão tramando agora?

Mauricio Calábria

A trilha invisível das radiofrequências não é de propriedade particular. Por isso, uma emissora de rádio ou TV somente pode operar se for agraciada com uma concessão do poder público.

Para isso, as empresas de radiodifusão devem, segundo a lei, prestar serviços de comunicação social, visando sempre ao bem coletivo.

Portanto, é comum e justo que se reserve um período da programação a conteúdo de interesse do povo, verdadeiro proprietário do território em que se propagam as ondas de informação codificada.

A rádio Jovem Pan não reconhece esse direito. Por isso, move uma campanha destinada a suprimir a "Voz do Brasil".

O interesse nessa censura é antigo. Tem origem na insubordinação do baronato paulista, historicamente resistente à lei e ao pacto federativo.

A atual campanha alega que o governo federal utiliza o espaço para fins de propaganda.

Incomoda demais a esse grupo neoconservador, firmemente atrelado ao PSDB, que o público seja informado sobre o crescimento econômico brasileiro e sobre o processo de universalização de direitos.

Parte da mídia, tenta, de todas as formas, eliminar os últimos redutos de dissonância informativa.

Procura-se, a todo custo, instituir um espaço 100% dedicado a insultar, desqualificar e criminalizar o governo federal e as forças populares.

Nesse padrão, impera o radicalismo religioso, o culto ao egoísmo, o repúdio à inclusão econômica e a consolidação de mitos de intolerância que constituem obstáculos à plena integração social de negros, mulheres, homossexuais, migrantes e imigrantes.

Em São Paulo, esse trabalho de lavagem neuronal é executado dia e noite, de forma a se manter a hegemonia política neoconservadora do PSDB e de seus aliados nos setores mais atrasados da sociedade.

Para isso, a rádio tem levado ao ar depoimentos de "celebridades" como José Serra, cacique do conservadorismo ressentido; Roberto Romano, "intelectual" orgânico da neodireita; e Ives Gandra, membro da Opus Dei e aguerrido inimigo de qualquer causa popular ou progressista.

Ainda que num formato arcaico, a "Voz do Brasil" representa o outro lado, a ponta de contato que sobrou com a informação divergente. Constitui-se, portanto, na lasca da democracia que se perdeu com o atual padrão centralizado de concessões no campo midiático.

O objetivo da campanha da Jovem Pan é construir um modelo autoritário de informação dirigida, em que o interesse do baronato paulista prospera acima do direito dos brasileiros.

Diz quem fala por ti e te direi quem és!
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Acertai vossos relógios!


FreeVideoCoding.com
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Assinatura vencida



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De costas para o futuro

Tribunal da Inquisição
Medíocres Torquemadas 
Mauricio Dias, CartaCapital

As igrejas, sempre de costas para o futuro, continuam intolerantes às renovações. No tempo do domínio católico no Ocidente, os contestadores de falsas verdades eram atirados à fogueira, amaldiçoados pela Inquisição, que não dava trégua a supostas heresias.

Nos dias de hoje, impotentes para ditar condenações capitais, os inquisidores ordenam aos fiéis a punição de políticos que defendem propostas dissidentes à doutrina que pregam. O aborto e a defesa da homofobia são os exemplos mais gritantes. E irritantes. Em reação, eles promovem nas eleições a “queima” de votos dos hereges e, com isso, cerceiam a liberdade do eleitor e intimidam os candidatos.

Essa réplica tardia e infeliz do Tribunal de Inquisição materializou-se no Congresso, onde foi depor o ministro Gilberto Carvalho, na terça-feira 15 de fevereiro. Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, viu-se forçado a expiar publicamente “pecados” cometidos aos olhos da poderosa bancada evangélica, transformada em braço executivo de diversas igrejas religiosas.

“O pedido de desculpas, de perdão, não foi pelas minhas palavras, e sim pelos sentimentos que provocaram”, disse o ministro.

Qual foi a heresia? Gilberto Carvalho, durante o Fórum Social Mundial, manifestou preocupação política com os evangélicos: “A oposição virou pó (…) a próxima batalha ideológica será com os conservadores evangélicos que têm uma visão de mundo controlada pelos pastores de televisão”.

Carvalho é católico fervoroso, mas também é militante político. Petista. Em razão do cargo, não foi cauteloso, embora tenha falado ingênuas obviedades. Não pregou o cerceamento de qualquer manifestação religiosa. Mas foi o suficiente para despertar a ferocidade adormecida da Frente Parlamentar Evangélica, na qual se destaca o senador capixaba Magno Malta, que, entre outras ofensas, chamou o ministro de “irresponsável”.

Um parlamentar ateu presente ao encontro fechado à imprensa descreve assim o ambiente naquele dia: “Os olhos dos senhores parlamentares disparavam chispas de fogo, ódio, raiva e intolerância diante daquele enviado do Maligno que se tornara ministro (…). O clima era pesado. Aquela reunião e a Inquisição têm tudo a ver. Tenho certeza que não exagero. O problema para eles era não poder acender a fogueira. Restavam-lhes as línguas de fogo, prontas a queimar o demônio pecador”.

Serelepe, o deputado Anthony Garotinho, ex-governador do Rio e evangélico atuante, também se destacou na ocasião. Sem sucesso, tentou forçar o ministro a assinar um documento desmentindo as declarações publicadas, mas diferentes do que falou, garantiu Gilberto Carvalho. O inquisidor fez, pelo menos, uma declaração expressiva e inteiramente adequada ao ambiente criado.

“O perdão está para a Igreja assim como a anistia está para a política”, comparou Garotinho.

Igreja e política. O desempenho de Garotinho aproximou ainda mais aquela reunião no Congresso do espírito obscurantista assumido pelos evangélicos. Nesse sentido, fazem uma repetição tardia do catolicismo primitivo.

Os votos dos evangélicos, arma que usam no processo político, talvez não sejam eleitoralmente decisivos. São muitos, é certo. O suficiente para acuar candidatos em busca de votos. Com eles acuaram Dilma e Serra, na eleição de 2010, e transformaram a competição em espetáculo para exibição de medíocres Torquemadas.

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O 13º trabalho



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Reciclagem


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Presidenta Dilma manda milicos ajoelharem no milho


Os presidentes dos Clubes Militares foram obrigados ontem a publicar uma nota desautorizando o texto do "manifesto interclubes" que criticava a presidenta Dilma Rousseff por não censurar duas de suas ministras que defenderam a revogação da Lei da Anistia.

Dilma não gostou do teor da nota, por não aceitar, segundo assessores do Planalto, qualquer tipo de desaprovação às atitudes da comandante suprema da Forças Armadas.

A presidenta convocou o ministro da Defesa, Celso Amorim, para pedir explicações e este se reuniu com os comandantes das três Forças, que negociaram com os presidentes dos clubes da Marinha, Exército e Aeronáutica, a "desautorização" da publicação do documento, que foi colocado no site do Clube Militar, no dia 16, como revelou o Grupo Estado. O episódio deverá servir para acelerar a nomeação dos integrantes da Comissão da Verdade, sancionada em novembro pela presidenta e que está em banho-maria no Planalto.

Apesar de terem sido obrigados a recuar, para não criar uma crise militar, os presidentes dos Clubes não se conformam com as críticas que as Forças Armadas têm recebido e temem que a comissão da verdade só ouça um dos lados na hora de trabalhar. Os presidentes dos Clubes da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, e da Marinha, almirante Ricardo da Veiga Cabral, disseram que em momento nenhum quiseram criticar a presidente Dilma e que a nota foi uma "precipitação", no momento em que os principais assuntos para a categoria, são a defasagem salarial e a necessidade de reaparelhamento das Forças Armadas.

O almirante Veiga Cabral, no entanto, classificou como "provocação" as falas das ministras das Mulheres, Eleonora Menicucci, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. "É uma provocação. Não podemos ficar parados. É natural que haja uma reação porque não é possível ficarmos sendo desafiados de um lado e engolirmos sapo de outro. A vida é assim, a cada ação tem uma reação", comentou o almirante, que disse ter havido "uma coincidência de interesses" neste momento, de se tirar a nota do ar. O almirante ressalvou que embora os militares, mesmo na reserva estejam sujeitos ao Estatuto dos Militares, "os clubes não estão subordinados ao Poder Executivo".

A nota dos Clubes Militares foi publicada no site do Clube Militar, que representa o Exército, quinta-feira que antecedeu o Carnaval e reproduzida pelo jornal O Estado de S. Paulo na edição de terça-feira. No dia seguinte, houve a reunião do ministro da Defesa com os comandantes e uma conversa com a presidente Dilma. Paralelamente a esta movimentação, os comandantes das três forças telefonaram para os presidentes dos três clubes para que a nota fosse suprimida. Ontem, o "comunicado interclubes" produzido a partir da reunião da semana passado foi retirado do site no início da tarde e por volta das 16 horas, colocada no ar um outro, dizendo que os presidentes desautorizavam o texto. Este desmentido, no entanto, não chegou a ficar meia hora no ar. O Clube do Exército, para tentar encerrar a polêmica, retirou a nota e o desmentido da nota, mas a polêmica já estava criada no meio militar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tom Sawyer, by Eric Cartman


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A lógica da pena de morte

NÓS MATAMOS PESSOAS
QUE MATAM PESSOAS
PORQUE
MATAR PESSOAS 
É ERRADO

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